Celebrado em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra é mais que uma data no calendário: é um convite à reflexão sobre a trajetória, as conquistas e os desafios enfrentados pela população negra na construção da sociedade brasileira. A data relembra a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e ícone da resistência contra a escravidão.
Em 2023, o dia passou a ser reconhecido oficialmente como feriado nacional, após a sanção da Lei 14.759/2023, reforçando a relevância do debate sobre igualdade racial e combate ao racismo estrutural.
CONSCIÊNCIA NEGRA
Segundo a historiadora Juliana Bezerra, a Consciência Negra é “a percepção histórica e cultural que os negros têm de si mesmos”, além de simbolizar a luta contra a discriminação e a desigualdade. A data, inicialmente instituída no calendário escolar pela Lei 10.639/2003 e depois formalizada pela Lei 12.519/2011, mantém seu caráter educativo e social nas escolas e instituições de todo o país.
Estados como Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio Grande do Sul já adotam o dia como feriado, reforçando a importância regional e nacional da celebração.
UM OLHAR PARA A HISTÓRIA
Os primeiros africanos escravizados chegaram ao Brasil em 1532, e o tráfico negreiro só foi encerrado em 1850, com a Lei Eusébio de Queiróz. Mesmo após a abolição em 1888, a população negra continuou enfrentando exclusão social, educativa e econômica, lutando para conquistar espaço e direitos básicos.
Zumbi, nascido livre em um quilombo, tornou-se símbolo dessa resistência. Seu legado atravessou gerações, apesar da violência sofrida pelo povo negro, desde os porões dos navios negreiros até a marginalização após a abolição. Morto em combate, teve seu corpo exposto em praça pública, mas sua história sobreviveu e se transformou em inspiração para milhões de brasileiros.
POR QUE A DATA IMPORTA?
Durante todo o mês de novembro, escolas e instituições promovem atividades que valorizam a cultura afro-brasileira e lembram a fundamental contribuição dos negros para a formação do país, na música, nos esportes, no trabalho, na gastronomia, nas artes, na religiosidade e na construção social.
A data também reforça a necessidade de combater o racismo estrutural e ampliar políticas que garantam igualdade de oportunidades.
A data de 20 de novembro segue como um marco da luta pela igualdade e pela valorização de uma história que transformou, e continua transformando, o Brasil.
TEXTO E IMAGEM: Juliana Bezerra, Professora de História