Nesta semana vivemos um concentrado de celebrações que devem encher o nosso coração de esperança. O Natal nos traz à memória um menino que nasce, com todo o imaginário que envolve esse acontecimento. No domingo, celebramos a solenidade da Sagrada Família e a conclusão do Jubileu em nível diocesano. Isso estará acontecendo concomitantemente em todas as dioceses do mundo, em suas respectivas Catedrais. A conclusão definitiva do Jubileu acontecerá no dia 6 de janeiro, na Basílica de São Pedro, em Roma.
O Jubileu da Esperança, que viemos vivenciando neste ano, é um convite a permanecermos sempre com o olhar voltado para o horizonte, mesmo que ainda nos encontremos na penumbra de uma realidade histórica conturbada. Quem mais do que uma mulher que está para dar à luz vive de esperança? Embora a previsão dos sofrimentos que estão por vir seja real, é maior a alegria de ver o fruto gestado que está para chegar à luz. É essa certeza que afasta o medo e dá motivos para a esperança.
Lemos em Lc 2,7: “Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e colocou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria”. Esse dar à luz é o que expulsa o medo e a dor. Maria passa a ter em seus braços a fragilidade humana e a divindade que veio habitar entre nós. Não é isso maravilhoso? Dá arrepios só de pensar: o indizível e imenso Deus embalado em simples panos, o frágil menino, recém-nascido.
Jesus menino é o nosso horizonte. Ele é o futuro que advém continuamente ao presente concreto e estreito do ser humano e do universo. Como ouvimos muitas vezes: “A esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 8,5). Nessa esperança haverá um novo parto, ou muitos partos, um mundo novo…
Enquanto peregrinamos por este mundo marcado por tantas sombras, num tempo em que muitas famílias, ainda hoje, sentem-se obrigadas a migrar à semelhança da Sagrada Família de Nazaré, buscando horizontes seguros, como fez José, que obedeceu ao anjo que lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito!”. Consola pensar que o mesmo anjo, mais tarde, dá a mesma ordem: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel”, vale dizer, a sua terra, com o seu povo. A Igreja e o mundo necessitam da seiva que vem das famílias, tal qual a árvore da água.
O Jubileu termina, mas o desejo de continuar avançando juntos, como peregrinos da esperança, segue mais vivo do que nunca. Votos de um Natal repleto de esperança e vida.