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Praticar a Palavra

por Nicole Corrêa Roese

Por ocasião da proximidade da memória de São Jerônimo, no dia 30 de setembro, o primeiro a traduzir os textos bíblicos para o latim, a Igreja do Brasil, para incentivar a leitura e meditação da Sagrada Escritura, dedica a ela o mês de setembro e o último domingo como o Dia Nacional da Bíblia.
A mensagem judaico-cristã tem uma característica própria que a distingue de toda e qualquer religião: seu conteúdo foi revelado numa história concreta: a caminhada do povo de Israel. Não é um livro de gabinete, escrito por um pensador. Sabemos que é uma biblioteca, um conjunto de livros, ligados entre si por um fio condutor delicado e sutil: a relação entre Javé e o povo eleito.
Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos Profetas. Nesses dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho: Jesus de Nazaré, o Verbo feito carne. Diante de um Deus que fala, precisamos exercitar-nos na escuta. A Palavra de Deus é uma mensagem que não conhece a deterioração do tempo, é oferta de vida e vida plena.
A Palavra que ouvimos e acolhemos em nosso coração nos convida a fazer escolhas. A história que Jesus, no Evangelho deste domingo, conta aos sacerdotes e anciãos, do pai que convida os seus dois filhos a trabalhar na sua vinha, onde o primeiro diz “não”, mas depois vai, e o segundo, que diz “sim”, mas depois não vai, enfatiza a importância de praticar a Palavra: fazer a vontade de Deus.
Nesse caso narrado, o primeiro filho é figura dos pecadores que se converteram à justiça do Reino. O segundo é figura dos interlocutores de Jesus que se consideravam justos e não se converteram. Ainda bem que Deus não desiste de nos falar e convidar a trabalhar na sua vinha e é sempre tempo de nos abrir à ação da graça, chegar a ouvir e praticar a Palavra.
A escuta da Palavra é condição para permanecer na liberdade e na vida, na fidelidade à aliança, para educar o coração e proclamar com a vida que Deus é fiel. O convite do profeta: “Procurem o Senhor, enquanto ele se deixa encontrar, chamai-o, pois ele está próximo” (Is 55,6) é sempre atual e oportuno. E, ao dizer que a Palavra de Deus é como a chuva e a neve que não voltam para o céu sem antes ter fecundado a terra, revela sua fecundidade e eficácia.
Aproveitemos esse dia da Bíblia para introduzi-la na nossa casa, com o respeito e decoro que ela merece. E por que não começar, hoje mesmo, um diálogo amistoso feito de leitura e escuta atenta, construindo assim uma história original de diálogo fecundo com nosso Deus e Senhor?