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Atendimento social garante resultado positivo para mais da metade dos acolhidos em Torres

por Anderson Weiler

Desde a implantação da Casa de Passagem, 54 das 94 pessoas atendidas superaram a situação de rua ou retornaram com segurança às cidades de origem, evidenciando o impacto concreto da rede de acolhimento em Torres.

O trabalho desenvolvido pela rede de assistência social de Torres tem se consolidado como referência regional ao unir acolhimento humanizado, políticas públicas eficazes e articulação intersetorial. A atuação conjunta do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e da Casa de Passagem demonstra que a proteção social, quando estruturada e contínua, é capaz de transformar realidades, reconstruir vínculos e devolver dignidade a pessoas em situação de vulnerabilidade.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO QUE RECONSTRÓI TRAJETÓRIAS

O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), coordenado por Fagner Lentz e vinculado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, sob gestão de Michele Brocca, atende famílias e indivíduos que tiveram direitos violados, incluindo vítimas de violência, negligência, abandono e discriminação. O serviço oferece acompanhamento técnico, orientação psicossocial e encaminhamentos que fortalecem vínculos familiares e comunitários, atuando diretamente na reconstrução da autonomia e da cidadania.

Além do atendimento institucional, as equipes realizam abordagens sociais contínuas nas ruas, inclusive em horários noturnos duas vezes por semana, garantindo presença ativa junto à população mais vulnerável. Em parceria com equipes de saúde do Consultório de Rua, profissionais realizam atendimentos diretamente nos locais onde essas pessoas se encontram, assegurando cuidados médicos, prevenção de doenças e encaminhamento às unidades de saúde. Essa integração entre assistência social e saúde amplia o acesso a direitos e cria caminhos concretos para a superação da exclusão.

CASA DE PASSAGEM COMO ESPAÇO DE RECOMEÇO

Implantada em julho de 2025, a Casa de Passagem tornou-se peça fundamental dessa rede de proteção. Desde o início das atividades, o serviço acolheu 94 pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo abrigo provisório, escuta qualificada e encaminhamentos técnicos. Os resultados refletem a efetividade da iniciativa. Oito acolhidos conseguiram alugar moradia e retomar autonomia, sete retornaram ao convívio familiar após trabalho de revinculação e 39 receberam apoio para voltar com segurança às cidades de origem. Inclusive, a Casa de Passagem também foi cenário de recomeços afetivos: duas pessoas que passaram pelo acolhimento se conheceram durante o atendimento e se casaram.

O serviço também atua na inserção produtiva. Quarenta usuários foram encaminhados ao mercado de trabalho, com apoio na elaboração de currículos, regularização documental e preparação para processos seletivos. Outros 57 foram direcionados a atendimentos de saúde, incluindo unidades básicas, centros especializados e hospital. Há ainda casos de acolhidos com transtornos mentais ou deficiência intelectual, para os quais a equipe promove encaminhamento a benefícios socioassistenciais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), garantindo proteção continuada.

A proposta do espaço não se limita ao acolhimento emergencial. O trabalho interdisciplinar busca compreender a história de cada pessoa, identificar potencialidades e construir estratégias individualizadas de superação, sempre articuladas com a rede socioassistencial e de saúde.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE REFORÇA SENTIDO SOCIAL DA MORADIA

O impacto dessas ações dialoga diretamente com a reflexão proposta pela Campanha da Fraternidade 2026, lançada pela Diocese de Osório e apresentada pelo bispo Dom Jaime Pedro Kohl. Com o tema Fraternidade e Moradia e o lema Ele veio morar entre nós, a iniciativa convida a sociedade a reconhecer a habitação como direito humano fundamental e não como privilégio.

Dados da Fundação João Pinheiro apontam que o déficit habitacional no Brasil chega a 6,2 milhões de moradias, cenário agravado pelo custo elevado dos aluguéis e pela precariedade estrutural de residências. No Rio Grande do Sul, especialmente no litoral, o contraste entre valorização imobiliária e pobreza evidencia desigualdades históricas. A professora e agente pastoral Sônia Dalmar observa que a exclusão territorial empurra famílias para áreas sem infraestrutura, reforçando ciclos de vulnerabilidade.

POLÍTICAS PÚBLICAS QUE DEVOLVEM ESPERANÇA

Para o defensor público Rodrigo Noschang, o direito à moradia previsto na Constituição só se concretiza com políticas permanentes e articuladas. Nesse sentido, a experiência de Torres demonstra como ações integradas entre assistência social, saúde e geração de renda podem romper trajetórias de exclusão. O município já registra histórias de superação que comprovam a eficácia do modelo adotado.

Ao unir acolhimento, orientação e oportunidades reais de reinserção social, o trabalho da Secretaria de Assistência Social, do CREAS e da Casa de Passagem reafirma que políticas públicas bem estruturadas não apenas atendem emergências, mas constroem futuros. Em um cenário nacional marcado por desigualdades habitacionais, iniciativas como essa mostram que a promoção da dignidade humana é possível quando há compromisso institucional, sensibilidade social e atuação contínua.

FOTOS: ASCOM PMT e CASA DE PASSAGEM