Acompanhei assustado a informação de que uma onda de feminicídios vem crescendo nos últimos anos no Brasil. Dados apontam um índice de quatro mulheres assassinadas a cada dia do ano em 2025. A cada seis horas uma pessoa é morta pelo fato de ser mulher, vítima de homens que acreditam terem o poder da força como arma legítima de fazer valer sua vontade.
É assustador vermos crescer esta tendência. Nós, humanos, que tantas vezes entendemos a vida como um processo de aprendizados e aperfeiçoamentos. Falamos muito em evolução e sempre nos achamos mais evoluídos quando numa relação com nossos antecessores.
Na busca de entendimento, lembro sempre que um dos elementos que nos define é a cultura. Somos moldados a partir de identidades culturais. Jeitos de ser e entender a vida e o mundo num processo sempre em movimento.
O fato de não sermos educados para a autonomia e o protagonismo faz com que, facilmente, nos servimos de padrões culturais dominantes construídos por pessoas e grupos com poder de dominação.
A cultura do poder de autoridade por parte de quem detém a força nas relações geopolíticas globais é fator que ecoa nos espaços micros onde a força identificada com a lei do mais fortes se impõe. E o que vemos nos índices de feminicídio acompanha uma onda planetária de “fortes” querendo impor suas vontades e caprichos.
É o que assistimos recentemente em várias frentes: a Rússia invadindo a Ucrânia, Israel cometendo um genocídio contra palestinos, a China em relação a Taiwuan e, no último ano, os urlos de Trump em relação a América e agora a Groenlândia e aos países da Europa.
Não são inocentes e muito menos vítimas os que cometem o feminicídio. Mas que são frutos de um elemento cultural amplamente fortalecido pelo discurso de violência, não há como negar.
O mesmo repúdio que sentimos em relação aos homens que cometem violência doméstica precisamos direcionar às autoridades políticas que arrotam violência e ameaças. É preciso fortalecer um processo de contracultura.
Cultura da violência
14