A decisão da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) de extinguir as coordenações locais dos cursos e centralizar a gestão acadêmica em uma Coordenação Nacional desencadeou uma forte mobilização no Campus Torres. Na noite de segunda-feira (6), mais de 100 estudantes lotaram o auditório da universidade para cobrar explicações da direção e pedir a revisão da medida, anunciada na semana passada pela mantenedora.
Durante o encontro, acadêmicos, professores e coordenadores questionaram como ficará o atendimento aos estudantes a partir do segundo semestre. Entre as principais preocupações estão a ausência de coordenadores presenciais para resolver demandas diárias, acompanhar estágios, organizar matrículas, mediar conflitos e atender as especificidades de cada curso.
Representando a mantenedora, o presidente comercial da Ulbra, Jackson Trindade, afirmou que a decisão foi tomada pensando na melhoria da formação dos alunos e garantiu que haverá um coordenador nacional para cada curso, além de equipes de apoio nas unidades. As explicações, porém, não convenceram os estudantes, que reagiram com vaias em diversos momentos e afirmaram que muitas perguntas permaneceram sem resposta.
O diretor da Ulbra Torres, Diego Antônio Viana Gomes, informou que todas as manifestações seriam levadas à presidência da instituição, durante reunião realizada no dia seguinte.
MUDANÇA
A nova estrutura foi comunicada aos coordenadores no dia 2 de julho e passará a valer no fim deste mês em todas as unidades da Ulbra no país. Com isso, os atuais coordenadores deixarão as funções administrativas e permanecerão apenas como docentes.
Segundo a universidade, a medida busca fortalecer a qualidade acadêmica e permitir que os professores se dediquem exclusivamente ao ensino, enquanto a Coordenação Nacional ficará responsável pela gestão estratégica dos cursos. Já professores e estudantes avaliam que a centralização pode reduzir a autonomia dos campi, tornar os processos mais lentos e comprometer o atendimento à comunidade acadêmica.
Além do ato realizado no campus, os universitários organizaram um abaixo-assinado, divulgaram nota pública contrária à mudança e estudam novas mobilizações para tentar reverter a decisão. A expectativa agora é pela divulgação dos encaminhamentos da reunião entre a mantenedora e a presidência da instituição.
FOTOS: REPRODUÇÃO/MOBILIZAÇÃO ACADÊMICA