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Eu não tenho onde morar!

por Anderson Weiler

Nesta semana, de 14 a 21 de junho, celebra-se a SEMANA DO MIGRANTE, que já está na sua 41ª edição, com o tema: “Migração e Moradia” e o lema: “Eu não tenho onde morar!”. Essa é a resposta muito frequente das pessoas que, por algum motivo, estão longe do seu país de origem e encontramos no nosso caminho.

Sabemos que ninguém migra por migrar. Ninguém sai do seu país, enfrentando dificuldades mil em lugares desconhecidos e sem nenhuma garantia de trabalho, habitação e acolhida, por simples aventura. Partem sem nenhuma garantia, em busca de melhores condições de vida, de trabalho digno, de liberdade para viver sua fé e seus valores culturais. Muitas vezes, é a única alternativa para fugir da perseguição.

Ligando com a liturgia deste domingo, na primeira leitura, Jeremias, imagem do servo sofredor, vive a estreita ligação entre perseguição e missão profética, depositando sua confiança no Senhor. Muitos migrantes seguem esse mesmo caminho, para fugir da perseguição ou de outros sofrimentos impostos à sua condição. Confiando no Senhor, aventuram-se dispostos a pagar pesado preço pela sua liberdade e por uma vida digna.

No evangelho de Mt 10,26-33, Jesus, após o envio missionário dos apóstolos, usa várias vezes a expressão: “Não tenhais medo” diante das perseguições. E promete se declarar favorável, diante do Pai, pelos que permanecem fiéis. Uma palavra muito apropriada para todos os que se encontram expostos à instabilidade, não só de moradia digna, mas também de outros direitos básicos.

Como lemos no Texto-Base: “A 41ª Semana do Migrante tem por finalidade celebrar a diversidade, promover a solidariedade, defender os direitos humanos e combater a xenofobia, o racismo e a discriminação aos migrantes. É um evento que reúne migrantes, refugiados, solicitantes de asilo, comunidades de acolhida, poder público e entidades da sociedade civil para destacar a esperança e a coragem dos migrantes que buscam reconstruir suas vidas e garantir o direito básico de moradia digna para todos”.

O objetivo desta Semana é reconhecer e valorizar a diversidade, sensibilizar a sociedade sobre a realidade de migrantes/refugiados, realizar iniciativas de solidariedade, oportunizar troca de saberes, bem como fortalecer a inserção e o protagonismo dos migrantes nas comunidades de acolhida e fomentar o debate em torno das políticas públicas migratórias.

Além de ser um dever cristão, a hospitalidade com os migrantes é, também, de alguma forma, ocasião de agradecermos a Deus por termos sido acolhidos neste chão pelos nossos antepassados que aqui migraram. A resposta que ouvimos: “Não tenho onde morar” é um grito que sobe ao céu e não nos deixa indiferentes. O que podemos fazer?