O tema do Reino é um dos mais recorrentes nos evangelhos, especialmente em Mateus. O capítulo 13 é um sermão feito em parábolas para dar uma ideia do que seja o Reino dos Céus, mas não consegue defini-lo num único conceito. Esse Reino vai sendo compreendido na perspectiva do “já e do ainda não”. Já está próximo, presente e, ao mesmo tempo, não tem como dizer onde está. Podemos afirmar que é o tema mais recorrente nos evangelhos e o principal critério de valor, ou seja, se o que propomos e fazemos está em conformidade com o Reino dos Céus, então podemos ter a certeza de que é coisa boa. Caso não esteja, não é bom.
As duas parábolas, do tesouro escondido e da pérola preciosa, mostram a importância de encontrá-lo e, para tanto, vale a pena vender ou desfazer-se de tudo o que se tem para comprar aquele bem. Não esquecer que a linguagem parabólica é comparativa para ajudar na compreensão. O Reino dos Céus não é algo que se pode comercializar — comprar e vender —, mas que pode ser adquirido por um estilo de vida em conformidade com o ideal do Reino. Mais que algo a adquirir, é uma realidade a acolher como dom, mas não sem compromisso; pelo contrário, como algo que compromete o nosso viver.
A terceira parábola, dizendo que o Reino dos Céus é como uma rede lançada ao mar, que pega peixes de todos os tipos, mas que depois os pescadores separam, recolhendo os bons em cestas e jogando fora os que não prestam como alimento, quer dizer que haverá um momento em que o Juiz/Deus fará justiça de acordo com o comportamento de cada um. Isso deixa a entender que a acolhida do Reino dos Céus é todo um estilo de vida a ser assumido e vivido.
Nosso texto conclui dizendo que o discípulo do Reino é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. Podemos compreender que a vida da pessoa é um caminho feito de escolhas contínuas, que carregamos na nossa bagagem e que nos prepararam para o Reino definitivo. Hoje, lembrando nossos avós, certamente teriam muitas coisas boas — novas e velhas — para partilhar com seus filhos e netos. Não deixemos de valorizar a sabedoria acumulada das suas buscas do Reino dos Céus e que pode nos abrir caminhos novos.
Para todas as pessoas de boa vontade, podemos concluir com Mt 6,33: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será dado por acréscimo”. Se ele começa aqui, acolhê-lo já é uma decisão inteligente. A confiança na presença de Deus no caminho a percorrer é de uma importância incalculável.
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório