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Eu sou a ressurreição e a vida

por Anderson Weiler

Em nossa caminhada quaresmal, estamos refletindo sobre os mistérios que precedem a ressurreição de Cristo, nossa Páscoa. E, nesta semana, a liturgia nos brinda com um longo texto de João 11,1-45, jogando luz sobre o mistério da morte e da vida para quem crê em Jesus. A morte é um dos grandes mistérios da vida humana. As perdas doem para todos. O próprio Jesus, quando viu Maria, a irmã de Lázaro, chorar, “comoveu-se profundamente no espírito e ficou conturbado”. A ressurreição do amigo é sinal do poder de Jesus e preanúncio da vida futura para os amigos de Deus.

Podemos entender que “toda a vida de Cristo é um mistério de recapitulação”. Santo Irineu explicou assim: “Quando ele se encarnou e se fez homem, recapitulou em si mesmo a longa história dos homens e, em resumo, nos proporcionou a salvação, de sorte que aquilo que havíamos perdido em Adão o recuperamos em Cristo Jesus”. Por isso, Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo, com isto, aos homens a comunhão com Deus.

Em Romanos lemos: “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos”. A Igreja crê que “a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e Mestre” (GS,10). Sim, Jesus desceu à “mansão dos mortos”, libertou os justos e recapitulou todas as coisas mediante seu SIM fiel. Naquele “Lázaro, vem para fora”, podemos acolher o convite de Jesus a deixar aquelas amarras que nos paralisam e impedem de caminhar com vigor sempre crescente em direção à meta: a comunhão com Deus e com os irmãos.

Quando Jesus declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crê em mim não morrerá”, colocou os fundamentos da nossa fé na salvação que é Ele mesmo. A fé em Jesus é chave para darmos sentido ao viver e ao morrer. Lázaro, como outros ressuscitados por Jesus durante sua vida pública, acabou morrendo posteriormente. Para nós não será diferente, mas, se permanecermos fiéis no seguimento de Jesus, o que nos espera é a morada eterna dos ressuscitados em Cristo.

Jesus costumava hospedar-se na casa do amigo Lázaro sempre que passava por Betânia. Ter casa para morar com dignidade, poder hospedar alguém, nos coloca em condições de criar vínculos de fraternidade e fazer a humanidade crescer na unidade e na paz. Aquele que veio morar entre nós foi nos preparar um lugar na casa do céu.

Consigo perceber a ação restauradora da humanidade e do cosmos em Cristo Jesus e no seu Evangelho? Sinto-me incluído nessa nova condição?

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório