GreNal

por Anderson Weiler

Tivemos um final de semana com GreNal disputando mais um título e, consequentemente, uma semana de postagens irônicas justificando o lado que se escolheu torcer. Ou fomos induzidos a torcer.

Lembro que ainda na infância fui coagido a uma opção: ou grêmio ou inter. Não tinha a alternativa “nenhum dos dois”. A gente tinha que ter um lado. No futebol eu era torcedor do Esportivo. Ficava no portão de acesso ao estádio até que o porteiro deixasse eu entrar gratuitamente, por simpatia ou piedade. Ainda assim, a pergunta era sempre a mesma: gremista ou colorado?

Feita a escolha, fica consolidado o lado em que a pessoa deve permanecer. Trocar de posição soa como uma atitude frágil e covarde. Por pior que esteja a situação, a pessoa já está demarcada. Motivo de orgulho quando vencedora e objeto de escárnio quando derrotada. A ponto de, muitas vezes, ser mais forte a torcida pela derrota do adversário do que a vitória do próprio time.

Esta realidade pode variar de região para região. A polarização futebolística não é a regra. Mas onde acontece, como no nosso Estado do RS, é uma marca determinante. Nesse contexto,  usamos o termo grenalização como sinônimo de polarização.

Quando se limita ao espaço do esporte, que é uma das dimensões de entretenimento, não repercute tanto nas definições sociais do contexto político e econômico. Porém, quando extrapola este dimensionamento, estabelecemos barreiras de relacionamento que colaboraram para uma cultura do ódio ao diferente.  Brincar com uma bola diante de torcidas com diferentes cores é salutar. Uma forma de extravasar sentimentos saudáveis de disputas e enfrentamentos. Deixar de lado a bola e partir para a discriminação e violência é manifestação de uma sociedade doentia. Grenalizar as relações sociais, especialmente político partidárias, é um risco perigoso. Porque a derrota do outro diferente se impõe como símbolo equivocado de vitória. Aí, todos perdem.