Procuro com frequência observar as demarcações de tempos. Porque o tempo é uma demarcação que construímos e nele estabelecemos algumas referências.
O mês de junho chega com a marca do inverno, especialmente para quem está mais ao sul da linha do equador. E junto com a estação do inverno chegam elementos de uma temporada marcada pelas festas juninas ou festas de São João. Olhando para os calendários municipais da região percebe-se uma disputa por datas no mês com esta caracterização. A tal ponto que o “mês” se expande para julho, e em alguns casos, até agosto.
E há também outro elemento que marca o início do mês. Não com a mesma intensidade e popularidade. Estes primeiros dias trazem para a pauta da discussão os temas ambientais. Nesta sexta, dia 05, recordamos o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data pautada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A temática para 2026 foca a questão das mudanças climáticas.
E assim como a ONU passa por um momento de descrédito pela sua inoperância em crises internacionais, a própria questão ambiental vai se tornando marginal. Os impactos das catástrofes climáticas se intensificam e com elas também a manifestação de solidariedade com quem as enfrenta. Mas não se amplifica o debate das causas. Para muitas pessoas, a questão entra no funil da polarização onde ambientalista é sinônimo de esquerdista ou “comunista” contrário ao desenvolvimento capitalista que promete qualidade de vida a partir do desenvolvimento medido pela riqueza acumulada. Acompanhamos também alguns que até contabilizam os prejuízos e apostam na ideia de sustentabilidade administrada para manter ou ampliar seus lucros.
Compartilho o entendimento com pessoas que olham o meio ambiente como um espaço do qual também fazemos parte e não como propriedade sob o nosso domínio ou “cuidado”. O desafio é perceber que o que definimos como natureza também é parte de um todo e não propriedade nossa.