Os profetas e os santos, ao longo da história, prestavam muita atenção aos sinais e se deixavam guiar por eles. Nosso mundo racionalista e marcado pela ciência não se mostra sensível aos sinais e resiste até aos mais evidentes, como, por exemplo, as mudanças climáticas, o aquecimento global, os incidentes humanos… Especialmente os que se acham donos do mundo: os Acaz da vida.
Ao convite: “Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha das profundezas da terra, quer venha das alturas do céu”, Acaz responde com uma falsa piedade: “Não pedirei e nem tentarei o Senhor”. Mas o profeta não deixa por isso: “O próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. Mateus não tem dificuldade de ver essa profecia plenamente realizada na gravidez de Maria e na crise de José diante do fato.
Maria mesma, diante do convite do Anjo, perguntou: “Como acontecerá, se eu não conheço homem algum?”. Além de dizer a ela que a sombra do Altíssimo a cobriria, dá um sinal: “Izabel, tua parente, que era considerada estéril, concebeu um filho na velhice e já está no sexto mês”. Ao que Maria acolhe e responde: “Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua Palavra”.
Diante do sinal de Maria grávida, sua prometida esposa em casamento, José está se debatendo e não conseguindo entender. Deus se encarrega de ir ao encontro dele em sonho, para esclarecer e encorajá-lo a assumir com ela a iniciativa divina em favor de toda a humanidade: “José, não tenha medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.
Que bonito ver esses três agentes da vida: o Espírito que gera, Maria que dá à luz e José que dá o nome. O concebido Jesus é o Messias, o Filho de Deus, o Emanuel, o Deus sempre conosco, o Salvador da humanidade. Deus Pai é quem opera a salvação, mas ela se concretiza com a cooperação humana. Essa forma de manifestação da vontade divina e a realização da salvação continuam, mesmo que nem sempre consigamos vê-la.
O Senhor continua vindo até nós na ternura de uma criança. Nossa missão é abrir o coração para acolhê-lo e abraçar a proposta de vida que nos oferece. Isso nos faz peregrinos de esperança. Acolhamos, alegres, o Natal de Jesus, neste ano jubilar da encarnação.
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório
Os sinais de Deus
47