A prevenção da violência contra a mulher e o fortalecimento da rede de atendimento foram temas de entrevista da Rádio Maristela, na última segunda-feira, 21, com a diretora da Mulher de Torres, Rita de Cássia Jaeger; a secretária-adjunta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Torres, Júlia Evaldi da Cunha; a assistente social Valéria Cardoso; e a psicóloga Luziane Goulart, ambas de Dom Pedro de Alcântara. A conversa integrou ações articuladas pela Rede Lilás para ampliar o acesso à informação e aos serviços disponíveis.
Em Dom Pedro de Alcântara, são registrados oficialmente cerca de quatro a cinco casos de violência contra a mulher por ano, mas a equipe reconhece que muitos episódios não chegam aos serviços públicos. Como o município não possui Centro de Referência da Mulher (CRM), os atendimentos são articulados com a rede de Torres. Após o registro da ocorrência e o encaminhamento, profissionais fazem a busca ativa, acolhem a mulher e apresentam os serviços disponíveis. “A gente procura, conversa com a mulher, faz aquele acolhimento, oferece o serviço do CRM”, explicou a equipe.
As profissionais destacam que a violência não começa necessariamente com agressões físicas. Controle sobre roupas, maquiagem, amizades e comportamento, além de humilhações, xingamentos, ameaças e violência patrimonial, também podem integrar o ciclo de violência. Em grupos realizados pela assistência social de Dom Pedro de Alcântara, essas situações são discutidas para ajudar as mulheres a identificar comportamentos que muitas vezes são naturalizados. “Elas têm muito ainda na consciência que violência contra a mulher é só violência física”, relatou a psicóloga Luziane Goulart.
Também foi abordado o ciclo da violência, que pode envolver agressões seguidas por pedidos de desculpas, carinho e promessas de mudança. Filhos, dependência financeira, medo e falta de rede de apoio podem dificultar a busca por ajuda. Em comunidades rurais, distância dos serviços e dependência econômica também podem contribuir para o silêncio.
A vergonha e a culpabilização da vítima são outros obstáculos. As profissionais relataram o caso de uma mulher que, mesmo mudando de município após sofrer violência, pediu para continuar sendo atendida pela equipe anterior para evitar que familiares e conhecidos soubessem da situação.
A prevenção também chegou às escolas. Durante o Agosto Lilás, o CRM de Torres realizou atividades com estudantes dos nonos anos da rede municipal sobre identificação da violência, canais de atendimento e formas de buscar ajuda. Os trabalhos produzidos pelos estudantes, como desenhos, vídeos e redações, também levaram o tema para dentro das famílias.
A rede ainda chama atenção para a violência contra mulheres idosas, inclusive praticada por filhos. Entre os casos acompanhados estão situações de violência patrimonial, como a apropriação de cartões e recursos financeiros por familiares. A comunidade também pode contribuir comunicando situações suspeitas aos serviços competentes.
Em Torres, o CRM atende sem necessidade de boletim de ocorrência ou medida protetiva, das 8h às 11h30 e das 13h às 17h30, na Travessa Torrense, 87. WhatsApp: (51) 99456-1977. Em Dom Pedro de Alcântara, o atendimento é pelo CRAS, das 9h às 17h. WhatsApp: (51) 99933-6285. Emergências: 190. Central da Mulher: 180. Denúncias: 181.
FOTO: JULIANA TAMAKI