O astrofotógrafo de Torres Gabriel Zaparolli registrou, no início da noite deste domingo (30), um tornado do tipo Wedge durante uma expedição de caça a tempestades no Oeste de Santa Catarina. O fenômeno ocorreu na área rural de Campo Erê, em meio a uma sequência de tempestades severas que atingiu a região.
Em entrevista à Rádio Maristela nesta segunda-feira (31), Zaparolli relatou que a equipe já acompanhava as condições meteorológicas e se deslocou para a região diante da previsão de tempo severo. A expedição conta com a orientação do meteorologista Rafael Santana, responsável pela análise das condições atmosféricas e pela definição dos deslocamentos do grupo.
O termo Wedge é utilizado para classificar tornados que apresentam grande largura, com a aparência de uma estrutura mais larga do que alta. A dimensão exata do fenômeno registrado em Campo Erê ainda não foi estimada, mas, pelas imagens obtidas, Zaparolli avalia que o tornado apresentou proporções expressivas.
A tempestade também provocou granizo de grande diâmetro. Segundo o astrofotógrafo, foram observadas pedras estimadas em mais de oito centímetros, com relatos de granizos que poderiam superar os dez centímetros na região.
PRIMEIRO TORNADO FILMADO
O registro em Campo Erê representa um marco na trajetória de Zaparolli. Ele conta que já havia presenciado um tornado em uma área rural de Torres, em 2011, mas esta foi a primeira vez que conseguiu filmar o fenômeno.
O interesse pela caça a tempestades começou em 2013, após assistir a uma série televisiva sobre o tema. Desde então, passou a estudar meteorologia e a acompanhar as condições que favorecem a formação de tempestades severas no Sul da América do Sul.
Segundo Zaparolli, existe uma extensa área com recorrência de tempestades severas que envolve regiões da Argentina, Paraguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Para ele, o acompanhamento de meteorologistas é fundamental para aumentar a segurança durante as expedições.
Mesmo diante da adrenalina provocada pela aproximação de um tornado, o astrofotógrafo afirma que a preocupação com a população é prioridade.
TECNOLOGIA AMPLIA REGISTROS
Questionado sobre a percepção de aumento nos registros de tornados e tempestades severas, Zaparolli ponderou que parte desse crescimento pode estar relacionada à evolução tecnológica.
A expansão das redes de radares meteorológicos, o acesso a informações em tempo real e a popularização dos celulares com câmeras facilitaram a identificação e o registro desses fenômenos. Segundo ele, eventos que no passado eram descritos apenas como “redemoinhos”, “furacões” ou “vendavais” podem, em alguns casos, ter sido fenômenos que hoje seriam identificados com maior precisão.
Além da produção de imagens, o grupo busca acompanhar a evolução das tempestades e contribuir para a disseminação de informações e alertas à população que possa estar na trajetória dos fenômenos. A expedição reúne @gabriel_zaparolli e outros integrantes do grupo de caçadores de tempestades, entre eles @maycon.zanata, @gregoryfenile, @raffasantannaa, @danielixd, @dudu.tempo.
FOTOS: @gabriel_zaparolli