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Caminhos diferentes, mas a mesma causa

por Anderson Weiler

No último domingo de junho, a Igreja do Brasil celebra a solenidade de São Pedro e São Paulo, que, por caminhos diferentes, servem à mesma causa: levar a Boa-Nova a todos os povos, anunciar e dar testemunho de Jesus. É o Dia do Papa. Hoje, seu nome é Leão. Os desafios de ontem e de hoje são muito parecidos: evangelizar o complexo mundo que tende a se organizar sem Deus e muito voltado aos bens materiais e pouco aos espirituais.

Muitas coisas poderiam ser ditas sobre estes dois apóstolos e testemunhas de Jesus Cristo. Pedro, a quem foi confiado o poder das chaves com a missão de ser referência de unidade para a Igreja nascente. Paulo, o incansável apóstolo das gentes, passou por muitas contrariedades e perseguições em nome do Evangelho.

Os dois, em situações e modos diferentes, com responsabilidades diferentes, mas figuras determinantes para a Igreja no seu início. Dois temperamentos fortes que foram sendo lapidados pelo Espírito, provados a ferro e fogo, para serem colunas fortes, apoiadas na pedra fundamental, Cristo, na estruturação da Igreja, visando continuar no mundo a missão do Mestre.

Pedro, na hora derradeira, chegou a negar Jesus. Paulo, num primeiro momento, foi perseguidor dos que se diziam cristãos. Precisou ser derrubado do cavalo para entender a vocação e missão para as quais Deus o predestinara. Apesar de suas covardias e fracassos, Jesus não desistiu dele para juntá-lo ao grupo dos apóstolos.

Paulo foi determinante para a difusão do cristianismo no mundo. Prevendo seu fim, escreveu ao amigo Timóteo: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé… O Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente; e ouvida por todas as nações; e fui libertado da boca do leão” (2Tm 4,7-17). Tem consciência do dever cumprido.

Para destacar a importância de ambos e evitar que se acentue demais a primazia de Pedro, no prefácio da liturgia lemos: “mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”.

Se olharmos a vida dos últimos papas, percebemos que seguem o mesmo caminho dos apóstolos. Por diferentes meios e com os recursos de hoje, trabalham para o mesmo objetivo: viabilizar o encontro com Cristo e o seu seguimento.