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De guerras e feminicídios

por Anderson Weiler

Revisitando a história vamos encontrar, nas raízes do movimento por um dia internacional das mulheres, uma grande manifestação que ocorreu na Rússia em 1917. Num período em que a humanidade, capitaneada pela cultura ocidental europeia, encontrava-se mergulhada numa grande guerra. Aquela greve de então foi um levante de mulheres que culminou com a saída da Rússia do front e iniciou um processo revolucionário. Muito tempo depois, consolidada a ideia de diplomacia sob a tutela da ONU, foi criado oficialmente o Dia Internacional da Mulher, em 1975.

E o que foram as guerras senão o movimento de machos se digladiando num embate de poder medido pela força?

Repete-se hoje, nestes últimos dias, meses e anos, o mesmo cenário. Machos usando o que há de mais avançado em termos de tecnologias – leia-se armas, para expressar sua força. E com a mesma desculpa midiática de que, do outro lado, estão as forças do mal.  Guerras em andamento, com mais ou menos intensidade, repetem a mesma lógica. Agora com um agravante. Ao mesmo tempo que assistimos o assassinato de alguns líderes militares e políticos envoltos em civis inocentes, vemos um crescente e repugnante crescimento no número de assassinato de mulheres, pelo fato de serem mulheres. É alarmante o crescimento de feminicídios no planeta como um todo, e de forma destacada no Brasil e no nosso estado do RS.

Alguém poderá perguntar: o que o ataque dos EUA representado pelo presidente Trump e Israel por Netanyahu contra o Irã e suas retaliações tem a ver com o feminicídio crescente?

Entendo que a relação é muito próxima. A mesma cultura de machos que se desafiam nas guerras naturalizam os machos que se sentem legitimados a destilar sua violência como forma de poder no espaço das casas ou das ruas, onde acontecem a maioria dos feminicídios. O medo de perder o poder transforma-se em prepotência repugnante

Não podemos cair na armadilha de naturalizar esse modelo. 

Acredito que as mulheres, e só elas, detêm o poder de romper com este ciclo.