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É sério!

por Nicole Corrêa Roese

Há poucos dias comentei aqui a situação de um eleitor que estava preocupado, em sua escolha, porque um dos candidatos poderia “acabar com o celibato dos padres”. Pois ainda pode piorar!

Depois de um debate, vejo pessoas compartilhando uma suposta comparação do relógio utilizado pelos candidatos naquela ocasião. Não foram as propostas, ideias e contestações, mas o relógio de pulso. Não sei até que ponto as informações procedem, porque é muita falsidade compartilhada, mas é muito mesquinho equilibrar-se nestes detalhes marginais para uma campanha. Sintomas de uma disputa que foge do projeto democrático de escolhas.

Quem se atira neste nível de enfrentamento confessa já ter escolhido um lado e precisa então de alguns detalhes para se manter firme na escolha. Caso o argumento seja derrubado, o que se busca é a mudança de argumento. A escolha por um lado permanece inabalável. É por isso que qualquer picuinha serve de argumento.

Há muitos anos já participei de alguns debates apontando para o risco de uma grenalização da política. Risco, porque na lógica regional do futebol a pessoa é induzida a fazer a opção por um dos times da capital gaúcha. E uma vez escolhido, não se concebe revisão de escolha. Não se transita para o lado de quem está melhor. Caso o time esteja na pior condição, sem empenho e entrega de seus atletas, técnico e equipe administrativa, faz-se a crítica e o protesto, mas não se muda de cor. É uma paixão inseparável.

Compreende-se a lógica do esporte mas a política não pode ir por este caminho. Não é a marca do relógio do candidato ou celibato dos padres que está em jogo. É muito mais.

A escolha precisa ser séria. Debate não pode ser definido para identificar quem é o melhor moleque. E não é um joguinho para na segunda gritar para o outro: “perdeu”. Todos podemos estar perdendo.

Vamos colocar na pauta as questões de educação pública, SUS, emprego, economia, segurança, direitos e políticas sociais. Não vamos brincar de política. É muito sério o que estamos vivendo. No mínimo, deveríamos estar atentos ao que pessoas também consagradas em vários campos da arte e das ciências humanas estão apontando. Não os oportunistas de plantão. É sério!