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Fé e Política no mesmo barco

por Anderson Weiler

Um tema muito complexo de abordar. Ou não.

Desde que acompanho questões político partidárias tenho ouvido pessoas e grupos afirmarem que não devemos “misturar” fé e política. Segundo este entendimento, duas dimensões que abordam setores diferenciados do viver. Como se a vida pudesse ser dividida em gavetas independentes, sobrepostas em diferentes andares.

O universo da fé, ou das crenças, oferecem referenciais na busca e sustentação de nossas convicções do que deve ou não ser abraçado como certo ou errado. Aí encontramos justificativas que dão sentido à vida. E o viver, a partir destes referenciais, é um ato político, ou seja, um ato de organizar a vida em comunidades e sociedades. Não tem como separar. Estão num mesmo nível, ou melhor, estão no mesmo barco, navegando em águas comuns que formam este universo.

Agora, em dias decisivos para a definição de nosso voto que escolherá as pessoas que elaboram e executam as leis que nos governam, o debate religioso está em alta.

Há poucos dias vi um amigo compartilhar uma postagem identificando um candidato como “pata do diabo” porque supostamente iria acabar com o celibato dos padres. Neste caso o que mais me deixa indignado não é o argumento mas a facilidade com que se propagam tais ideias. A escolha de um presidente, que será o responsável pelas políticas sociais e econômicas, atrelada ao celibato dos padres. Por outro lado, um candidato que promete decretar que “o Brasil é de Jesus Cristo”. Uma prepotência que o coloca acima do próprio Cristo porque sugere que será o “dono” do país e, portanto, poderá entregá-lo a Cristo ou a qualquer outro.

O que parecia superado pela prática do bom senso e do bem comum, quando regimes teocráticos permitiam verdadeiras ditaduras políticas marcadas por crimes humanitários, hoje bate à porta como referência de esperança.

Temos em mãos mais uma chance de evitar retrocessos.