No terceiro domingo de agosto, no Brasil, celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Lembramos, nesse dia, a vocação à Vida Consagrada, pelo fato de que a disponibilidade de Maria ao projeto de Deus é exemplar para os discípulos e discípulas dispostos a deixar tudo para servir a Deus, entregando toda sua vida e, para sempre, em favor dos que mais precisam.
Maria, ao receber o chamado para ser a mãe do Salvador, sem entender o modo, coloca-se totalmente à disposição de Deus, declara-se a serva do Senhor. Sua primeira ação depois de ter concebido foi pôr-se a caminho para servir sua prima Isabel, que estava grávida. Podemos dizer numa gravidez de risco, em função da idade avançada. Belo e feliz encontro, marcado pela exultação das duas grávidas e seus filhos. Alguém ousa classificar essa visita como a primeira viagem missionária da missionária por excelência.
Através de Maria, a serva do Senhor, João recebe o Salvador, que foi à sua casa para o servir. João exulta no seio da mãe, porque nele Deus revelou a misericórdia, que era para todo o povo. Podemos ver nele o autêntico Israel, que se alegra com a chegada do seu Cristo. Maria foi elogiada não por ser mãe de Jesus, mas, muito mais, porque ela acreditou que se cumpriria o que o Senhor havia dito. Mais uma vez, a importância da fé na vida do cristão.
Pela ação do Espírito Santo, Maria concebe o “Filho de Deus”. É Deus irrompendo na história, transformando-a inteiramente. É por aqui que entendemos os louvores de Isabel: “Bendita aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”, e de Maria: “Minha alma engrandece o Senhor e rejubila meu espírito em Deus, meu Salvador”. Ambas exprimem sua gratidão ao Deus que promete e faz. E sempre em favor de toda a humanidade.
Isabel (idosa) e Maria (adolescente) têm em comum a disponibilidade a colaborar com Deus na obra da salvação. Pensando na necessidade de consagrados e consagradas para continuar a levar a Boa-Nova que pode fazer exultar de alegria os dois terços da humanidade que ainda não conhecem Jesus, fica em aberto a possibilidade de responder ao convite do Senhor, independentemente da idade. Felizes os que, percebendo o chamado, acreditam e conseguem dar o seu sim.
Hoje, Deus precisa de outras Isabelas que reconheçam os sinais do Deus que continua visitando o seu povo e de outras Marias que respondam: “Eis aqui a serva do Senhor”, para que o Cristo seja acolhido e amado por muitos corações que ainda não foram alcançados pelo Evangelho. Acreditar no chamado é uma grande graça e responder com generosidade, uma grande bênção.
Felizes aqueles que acreditam
1