Procurei pelo significado da palavra “ipê”. Pela pronúncia me remeteu a um termo indígena. E de fato o é. Esperava por alguma referência à floração, que geralmente acontece dentro do período que classificamos como inverno, antes mesmo de aparecerem sinais de brotação. Flores que antecedem as folhas.
Minha surpresa ao identificar uma referência à casca desta árvore, mais especificamente uma casca dura ou grossa. Ipê porque uma árvore cascuda.
Também já li várias crônicas e interpretações acerca desta flor. Quando as vejo sempre recordo de Rubem Alves. São sinais que se adiantam para anunciar algo novo que está por chegar. Adiantam-se no anúncio da primavera.
Na infância lembro de um ditado que afirmava serem os ipês responsáveis pelo recado de que o tempo das geadas havia se encerrado. Quando florian decretavam o fim dos frios mais intensos.
E eles floriram. Já há mais de uma semana. Especialmente os amarelos. Encantam pelo seu destaque agarrados a galhos que parecem secos.
No entanto, os meteorologistas estão anunciando um final de semana gelado aqui para nossa região sul.
Afinal, o que está acontecendo?
Estávamos enganados em nossa leitura romântica da natureza? Nosso encanto pelos sinais estaria se esvaindo? Ou seriam os ipês que estão se perdendo e desaprendendo com o tempo? Estariam eles desestruturados?
Os povos originários entenderam que sua identidade não estava tanto no processo de floração senão na sua casca dura. E esta é uma expressão de resistência. Mais do que a beleza talvez nos falte a capacidade de entender a resistência. Nos encantamos pelo belo e nem sempre pela capacidade de resistir.
Sempre é tempo de novos aprendizados para quem tem um olhar atento aos novos tempos sem perder a dimensão de suas raízes.