Embora a invasão do tema “Copa do Mundo” em nossas vidas, a semana iniciou impactada com a notícia da jovem que foi arremessada de uma ponte sem nenhum sistema de segurança. E o que era para ser uma atitude esportiva virou uma tragédia.
Com razão e indignação, procura-se pelos responsáveis. Inicialmente por quem deveria primar pelo bom êxito desta prática visada por muitos aventureiros. Mas também pelas instâncias que deveriam zelar pela fiscalização e controle de espaços públicos e serviços oferecidos também no campo do entretenimento.
É inaceitável uma negligência tão grotesca em se tratando da vida de uma pessoa.
Feitas estas considerações, é importante ainda ampliar a reflexão que o caso traz à tona.
O que leva pessoas a buscarem esse tipo de esporte?
A ideia de se desafiar sempre acompanhou a história dos esportes. Assumir riscos para se superar nos limites é uma ambição que acompanha as ambições humanas. Algumas modalidades expõem isso de forma mais clara. Uma delas são as provas de velocidade motorizada onde também se coloca em jogo uma disputa de poder. O risco é uma consequência de uma ambição maior. A motivação é a conquista. O risco é o preço.
No caso desse esporte radical em foco parece que a motivação é o próprio risco. Experimentar a sensação de estar sendo arremessado no vazio é o que motiva. Tudo registrado em câmeras. Enfrentar e superar a possibilidade da tragédia é o atrativo.
Até que ponto não está aí o reflexo de uma sociedade que nos expõe a tragédias constantes onde o risco da frustração e depressão estão sempre muito próximos? Até que ponto o viver, em muitas circunstâncias, não tem se tornado um ato de arremesso no vazio com a expectativa de que alguma corda extra nos sustente?
Poder experimentar isso como uma forma de entretenimento pode ser a busca de uma compensação de seguranças desejadas quando a vida, ela mesma, está numa condição social insegura.