Alguns perguntam “feriado por que?”. Outros tem a resposta na ponta da língua: feriado de São José. E ainda mais indagações: é preciso parar mesmo (empresas e comércio)?
Como refém da história e simpatizante da antropologia social, busco também respostas.
Já neste milênio, quando aqui cheguei, não havia o decreto de um feriado municipal nesta data. E muito menos festividades de São José, indicado pelo grupo majoritário de católico-romanos como padroeiro da comunidade (município).
O que levou a esta “nova” definição.
É preciso resgatar outro evento religioso.
A data de 08 de dezembro, antes da Constituição de 1988, era definida como feriado religioso nacional. Dia de Nossa Senhora da Conceição. Casualmente, em Três Cachoeiras, coincidia com o aniversário sacerdotal do Pe. Rizzieri Delai. Uma data que, inclusive, se consagrou como “feriado do Pe. Delai” por ser um momento de confraternização da comunidade católica.
Com a morte do reverendo, passados alguns anos, o feriado foi perdendo sentido. E também deixou de ser uma data no calendário nacional, mesmo que alguns municípios, inclusive na região, optassem por mantê-la.
Outro fator também passou a pesar. Para o comércio local, esta parada do feriado próximo ao Natal era um atrativo para algumas pessoas procurarem outras cidades da região como alternativa de suas tradicionais compras. Surgiu então um movimento em defesa da suspensão do feriado. E para não caracterizar um ato anti-religioso, optou-se pela data do padroeiro lembrado no calendário em 19 de março. Até então a festividade era comemorada no primeiro final de semana após a Páscoa, num tempo fora da quaresma quando não deveriam acontecer maiores aglomerações festivas. Idéia defendida pela figura expressiva de Pe. Delai.
Posto estes elementos, não é tão estranho assim.