Home ColunistasJuliana TamakiO que a sua marca vende quando a praia esvazia?

O que a sua marca vende quando a praia esvazia?

por Ana Luiza Rodrigues

Existe um fenômeno curioso na BR-101 por volta do fim de março. Não é apenas o trânsito que diminui ou a névoa fria que começa a desacelerar as manhãs entre Torres, Litoral Norte e o Sul Catarinense. É um silêncio repentino na comunicação das empresas locais. Como quem recolhe as cadeiras de praia antes da tempestade, dezenas de marcas simplesmente suspendem os anúncios, fecham as redes sociais e entram em hibernação até o próximo veraneio.

Mas aí fica a provocação que todo empresário da nossa região deveria se fazer: o que você vende quando a praia esvazia?

Se a sua resposta for “nada, porque a cidade morre”, você não tem um problema de sazonalidade; você tem um problema de posicionamento. A população fixa do Litoral Norte do RS e do Sul de SC cresceu de forma consistente. A cidade não fica vazia no inverno, ela apenas muda de tom. O cliente de julho é o mesmo que precisa de manutenção, frequência gastronômica, serviços e compras do dia a dia.

Quando uma marca só dá as caras no calor a 30°C, ela emite um sinal claro para a comunidade: “Eu só me importo com o seu dinheiro, não com a sua rotina”. Funciona por um tempo, mas não gera lealdade. Marcas fortes no litoral usam os meses frios para construir o ativo mais valioso do mercado atual: a relevância comunitária. É quando o vento nordeste sopra forte que você cria laços reais e apoia a economia local.

A conta fecha de forma simples: quem é lembrado no inverno volta e indica durante o verão. Quando dezembro chega e os turistas invadem a praia sem saber para onde ir, é o morador local, aquele bem atendido durante todo o ano, quem faz a recomendação de ouro. Cortar a comunicação no inverno para economizar é como desligar o farol do barco só porque a noite está escura. A pergunta que fica não é se o sol vai voltar a brilhar em dezembro, porque ele sempre volta, mas se a sua marca ainda estará de pé quando a praia lotar de novo. Praia bonita qualquer uma tem. Empresa que finca raízes na tempestade é a única que vira patrimônio da nossa região.