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Quando a essência da marca vale mais do que a venda

por Nicole Corrêa Roese

Existe um momento no calendário em que o marketing precisa ter a maturidade de pedir licença, dar um passo para trás e desligar o alto-falante das promoções. Com a chegada de campanhas de conscientização de extrema relevância social, como o Setembro Amarelo, voltado à saúde mental, o Outubro Rosa, focado na prevenção do câncer de mama ou o Novembro Azul, na prevenção do câncer de próstata, o comércio local se depara com um dilema recorrente: como se posicionar sem parecer oportunista? A resposta é simples, embora exija coragem estratégica: essas datas não existem para gerar gancho de vendas, mas para expor a verdadeira essência da sua marca.

O maior erro que uma empresa pode cometer nesta época é tentar transformar uma causa humana em um gatilho comercial disfarçado. Lançar descontos associados a temas sensíveis ou criar ofertas apelativas usando a cor da campanha não gera engajamento positivo, pelo contrário, soa artificial e destrói a credibilidade construída a duro custo no balcão. O consumidor moderno, especialmente nas cidades da nossa região, onde as relações são próximas e a convivência é diária, percebe a diferença entre o oportunismo de fachada e o compromisso genuíno de uma empresa que realmente se importa com a comunidade onde está inserida.

Fazer reforço de marca e construir reputação institucional nessas datas significa colocar o propósito na frente do produto. A vitrine da sua loja em Torres, Capão ou Araranguá, a fachada do seu estabelecimento ou o espaço da sua rede social podem e devem servir como plataformas de acolhimento e informação. Quando um restaurante cede espaço para divulgar redes locais de apoio à saúde mental, quando uma loja de roupas usa sua comunicação para lembrar aos clientes sobre a importância dos exames preventivos, ou quando uma empresa promove um momento de escuta e cuidado com a sua própria equipe interna, ela está fazendo o branding mais poderoso que existe.

A verdadeira força de um negócio regional não é medida apenas pelo faturamento do mês, mas pelo papel que ele desempenha na vida das pessoas quando as luzes do comércio se apagam. Apoiar causas relevantes sem segundas intenções comerciais é uma declaração clara de valores. O retorno de uma postura ética e humana não vem no cupom fiscal do dia seguinte, mas se consolida no ativo mais valioso e duradouro do mercado: o respeito, a admiração e a lealdade da comunidade que sustenta o seu negócio o ano inteiro. Então faço uma provocação, o que sua marca tem feito para contribuir com a nossa região quando o marketing pede licença?