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Setembro Amarelo: quando ouvir também é uma forma de cuidar

por Anderson Weiler

Campanha amplia, em setembro, o debate sobre saúde mental e prevenção do suicídio, mas especialistas alertam que o cuidado precisa acontecer durante todo o ano, dentro de uma rede que envolve saúde, família, escola, trabalho, assistência social e comunidade

Setembro chega acompanhado da cor amarela e de uma série de iniciativas voltadas à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. O Setembro Amarelo tornou-se, nos últimos anos, um dos principais momentos do calendário para estimular a sociedade a falar sobre um assunto que durante muito tempo permaneceu cercado pelo silêncio. Mas, para quem trabalha diariamente com saúde mental, falar sobre o tema exige responsabilidade e vai muito além de uma campanha concentrada em um único mês.

Em Torres, profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) defendem que a prevenção precisa ser construída no cotidiano, a partir de uma rede de cuidados que envolve diferentes serviços e também as relações estabelecidas pelas pessoas em suas comunidades. A psicóloga Heloisa Cardoso da Silva, coordenadora do CAPS de Torres, chama atenção para a complexidade do sofrimento psíquico e para o risco de reduzir a discussão a uma questão exclusivamente individual.

Ao mesmo tempo, instituições como o Centro de Valorização da Vida (CVV) reforçam a importância de uma atitude aparentemente simples, mas que pode ser decisiva: estar disponível para ouvir. Em 2026, a campanha do CVV tem como tema “Escutar é estar presente”, uma mensagem que resume parte importante da proposta de prevenção: criar espaços nos quais as pessoas possam falar, ser acolhidas e encontrar apoio sem julgamento.

UMA CAMPANHA PARA FALAR SOBRE O QUE AINDA É DIFÍCIL

O Setembro Amarelo é realizado no Brasil desde 2015 com o objetivo de ampliar a conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Para Heloisa Cardoso da Silva, o movimento tem um papel importante ao colocar o assunto em evidência e estimular o diálogo, mas precisa ser compreendido dentro de seus limites.

“É uma campanha que acontece desde 2015 no Brasil, que tem esse objetivo de conscientizar as pessoas sobre a questão da saúde mental, sobre prevenção do suicídio, busca ampliar esse diálogo sobre saúde mental, ajudando a compreensão da sociedade, das pessoas sobre esse tema que é tão importante”, explica.

A coordenadora do CAPS, porém, faz uma ressalva importante: não há consenso de que campanhas de conscientização realizadas de forma isolada sejam suficientes para produzir redução nas taxas de suicídio ou nas tentativas de suicídio.

A observação não diminui a importância do Setembro Amarelo. Pelo contrário. Ela ajuda a compreender que o mês pode funcionar como uma porta de entrada para uma conversa que precisa continuar durante os outros 11 meses do ano.

“A expectativa era de que abordar sobre isso num mês específico produzisse esse efeito, só que não existe evidência de que isso acontece”, afirma Heloisa.

O alerta também se estende à forma como o assunto é apresentado na imprensa e nas redes sociais. Uma abordagem inadequada, excessivamente emocional ou centrada em determinados aspectos do suicídio pode provocar sofrimento adicional em pessoas que já estão fragilizadas.

Por isso, falar sobre prevenção também significa escolher cuidadosamente as palavras, evitar simplificações e não transformar histórias de sofrimento em conteúdo sensacionalista.

A responsabilidade é ainda maior em um cenário no qual informações circulam rapidamente e podem alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.

SAÚDE MENTAL NÃO É RESPONSABILIDADE DE UM ÚNICO SERVIÇO

Quando alguém enfrenta sofrimento psíquico, é comum que a primeira referência seja um psicólogo, um psiquiatra ou o próprio CAPS. Esses profissionais têm papel fundamental, mas a rede de atenção em saúde mental é muito mais ampla.

Em Torres, segundo Heloisa, o cuidado é organizado a partir de uma rede que reúne diferentes serviços, cada um com sua função e competência.

“É fundamental esclarecer que o cuidado em saúde mental não é responsabilidade de um serviço só”, destaca.

Essa rede inclui a atenção primária, representada pelos postos de saúde, o ambulatório de saúde mental, o CAPS, os serviços de pronto atendimento e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Dependendo da situação apresentada, diferentes portas de entrada podem ser acionadas.

Mas a rede não termina nos serviços de saúde.

Escolas, assistência social, cultura, esporte e outros setores também têm participação importante na promoção da saúde mental. São espaços nos quais as pessoas estabelecem vínculos, convivem, desenvolvem atividades, constroem relações e encontram — ou deixam de encontrar — suporte.

Essa compreensão é fundamental porque o sofrimento não surge necessariamente de uma única causa.

Condições de moradia, trabalho, renda, acesso a direitos, relações familiares e vínculos comunitários podem interferir diretamente na saúde mental. Por isso, concentrar toda a responsabilidade sobre o indivíduo significa deixar de observar uma parte significativa do problema.

“Às vezes a forma como se aborda no Setembro Amarelo essas coisas são desconsideradas, então é uma coisa que a gente precisa estar atento quando a gente vai abordar essas coisas, para não reduzir, não simplificar um tema que é tão complexo”, explica Heloisa.

A saúde mental, portanto, não deve ser compreendida apenas como a ausência de transtornos. Ela também está relacionada às condições concretas em que uma pessoa vive e às possibilidades que possui para construir relações, acessar direitos, trabalhar, estudar, morar com dignidade e participar da comunidade.

O PAPEL DO CAPS

Os Centros de Atenção Psicossocial são serviços especializados de referência para pessoas que apresentam transtornos mentais graves e que enfrentam prejuízos significativos em diferentes áreas da vida.

Isso pode envolver dificuldades para trabalhar, estudar, manter vínculos familiares ou participar das atividades cotidianas.

No entanto, Heloisa ressalta que compreender o trabalho do CAPS apenas como um local de consultas com psicólogo ou psiquiatra é uma visão limitada.

“O CAPS, em si, é um serviço especializado, que é referência em saúde mental para pessoas que apresentam um transtorno mental grave e que esse transtorno mental grave traz prejuízos para a sua vida, significativos”, explica.

A lógica da atenção psicossocial procura compreender cada pessoa para além de um diagnóstico ou de determinados sintomas.

Sua história de vida, os vínculos familiares e comunitários, as condições de moradia, trabalho e renda, o acesso a direitos, as potencialidades e as dificuldades apresentadas fazem parte da avaliação e do cuidado.

O objetivo é construir, caso a caso, estratégias de reabilitação psicossocial.

Por isso, o tratamento pode envolver atendimento individual, acompanhamento médico, psicoterapia e medicamentos, mas também diversas outras atividades.

“No CAPS, a gente não pode resumir, reduzir o CAPS a consultas com psiquiatra, com psicóloga, com o uso de medicamento. Isso faz parte, mas é uma das estratégias terapêuticas que são utilizadas pensando nessa reabilitação psicossocial”, afirma.

Entre as ações estão atendimentos em grupo, oficinas terapêuticas, visitas domiciliares quando necessárias, acompanhamento e orientação às famílias e atividades realizadas fora da estrutura física do serviço, no chamado território.

A ideia é fazer com que o cuidado não fique restrito às paredes do CAPS.

CUIDAR TAMBÉM É CRIAR VÍNCULOS

É justamente nas atividades desenvolvidas ao longo do ano que o trabalho de promoção da saúde mental ganha uma dimensão mais ampla.

No CAPS de Torres, os usuários participam de grupos terapêuticos e oficinas voltadas a diferentes interesses e necessidades. Há atividades de artesanato, costura, horta, jogos, marcenaria, produção de sabão artesanal e produção de velas aromáticas.

Também existe a Rádio Vozes Ouvidas, que funciona na prática como um podcast produzido a partir de temas escolhidos pelos próprios participantes.

A expressão por meio da arte, a convivência, o aprendizado de novas habilidades e a participação em atividades coletivas fazem parte do cuidado.

“Isso tudo faz parte do cuidado de saúde mental dessa pessoa”, resume Heloisa.

Outro exemplo é a oficina de percussão que deu origem ao Bloco Zé da Bandana. Desde 2022, o grupo reúne usuários do CAPS, trabalhadores e pessoas da comunidade e participa do Carnaval com um cortejo na beira-mar.

Embora a apresentação aconteça durante o Carnaval, a oficina é desenvolvida durante todo o ano.

A proposta demonstra que prevenção também pode acontecer por meio da convivência, da participação social e da construção de pertencimento.

Uma pessoa que encontra um espaço para se expressar, desenvolver uma habilidade, conviver com outras pessoas e perceber-se como parte de um grupo está também fortalecendo vínculos que podem ser importantes em momentos de dificuldade.

É nesse sentido que Heloisa considera as ações desenvolvidas diariamente pelo CAPS uma parte efetiva da promoção da saúde mental e da prevenção.

PARTICIPAÇÃO E AUTONOMIA

Outro espaço de participação existente no CAPS são as assembleias, realizadas atualmente de forma quinzenal ou, em alguns períodos, a cada três semanas.

O encontro reúne usuários, profissionais e familiares e permite discutir questões relacionadas ao funcionamento do serviço.

Os participantes podem apresentar demandas, problemas e sugestões. Questões práticas, como disponibilidade de medicamentos ou estrutura para determinadas atividades, também podem entrar na pauta.

Mas as assembleias cumprem uma função que vai além da resolução de problemas administrativos.

Elas estimulam a participação dos usuários nas decisões e criam um espaço de diálogo entre quem utiliza o serviço, seus familiares e os profissionais.

Em setembro, uma das assembleias terá justamente a discussão sobre o Setembro Amarelo.

A proposta é abordar a campanha de maneira crítica, discutir a importância do tema e, ao mesmo tempo, lembrar que a prevenção e a promoção da saúde mental já fazem parte do cotidiano do serviço.

A mensagem é clara: prevenção não começa no dia 1º de setembro e termina no dia 30.

SETEMBRO COM ATIVIDADES DURANTE TODO O MÊS

O calendário do CAPS de Torres terá três atividades específicas em setembro.

No dia 10, usuários que participam das oficinas de produção de sabão e velas aromáticas, acompanhados pelos profissionais responsáveis, realizarão uma viagem para São Martinho, em Santa Catarina.

O passeio tem uma característica especial: será custeado com os recursos obtidos pelas próprias vendas dos produtos produzidos nas oficinas.

A escolha do destino também ocorreu de forma coletiva, envolvendo os participantes das atividades.

Para Heloisa, a iniciativa representa o resultado de um processo que envolve produção, responsabilidade, participação e autonomia.

No dia 17, será realizada uma oficina de percussão aberta à comunidade. A atividade terá como objetivo a criação da nova marchinha para o próximo Carnaval do Bloco Zé da Bandana.

A iniciativa também amplia a aproximação entre o CAPS e a comunidade, permitindo que pessoas que não frequentam o serviço conheçam uma das atividades desenvolvidas no local.

Já no dia 24 será realizado o segundo Baile da Primavera. A primeira edição aconteceu no ano passado e reuniu usuários, familiares e trabalhadores.

A atividade novamente será aberta à comunidade, mediante inscrição na recepção do CAPS para organização do espaço e acolhimento dos participantes.

São ações que, embora não tenham necessariamente a aparência de uma atividade tradicional de prevenção ao suicídio, fazem parte de uma concepção mais ampla de cuidado.

A prevenção também pode estar na criação de vínculos, na autonomia, na participação social, no sentimento de pertencimento e na possibilidade de ocupar espaços de convivência.

QUANDO ESCUTAR É ESTAR PRESENTE

Se o CAPS representa uma das estruturas da rede pública de atenção psicossocial, o Centro de Valorização da Vida atua em outra frente: oferecer um espaço de escuta para pessoas que precisam conversar.

Fundado em São Paulo em 1962, o CVV é um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. O atendimento é destinado a todas as pessoas que desejam e precisam conversar, sob sigilo e anonimato.

O principal canal é o telefone 188, disponível 24 horas por dia e sem custo para a ligação. A instituição também oferece atendimento por chat, e-mail e presencialmente.

Somente em 2025, foram oferecidos cerca de 2 milhões de apoios pelos canais da instituição, realizados por aproximadamente 3,2 mil voluntários. O trabalho alcança 19 estados brasileiros, além do Distrito Federal.

A dimensão desses números ajuda a mostrar que a necessidade de espaços de escuta está presente em diferentes regiões e realidades.

O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, reconhecida como entidade de Utilidade Pública Federal desde 1973.

A instituição é associada à Befrienders Worldwide, rede que reúne organizações semelhantes em diferentes países, e participou da força-tarefa que contribuiu para a elaboração da Política Nacional de Prevenção do Suicídio, do Ministério da Saúde.

Desde 2015, mantém acordo de cooperação com o Ministério da Saúde que possibilitou a implantação do número 188 como linha nacional gratuita de prevenção do suicídio.

Além dos atendimentos, o CVV realiza ações abertas à comunidade relacionadas à prevenção, estimulando o autoconhecimento, a convivência e o cuidado nas relações.

A instituição também mantém o Hospital Francisca Júlia, em São José dos Campos, São Paulo, voltado ao atendimento de pessoas com transtornos mentais e dependência química.

O VALOR DE UMA CONVERSA

A voluntária e porta-voz do CVV no Rio Grande do Sul, Dalva Stracke Ferreira, explica que, durante o Setembro Amarelo, a instituição utiliza o período para ampliar a divulgação de seu trabalho.

O tema escolhido para a campanha deste ano é justamente “Escutar é estar presente”.

A frase carrega uma ideia simples: muitas vezes, estar disponível para outra pessoa significa mais do que oferecer respostas prontas.

Escutar não significa necessariamente solucionar o problema de quem fala. Também não significa ter uma explicação para tudo.

Significa oferecer atenção.

É nesse ponto que o trabalho voluntário do CVV encontra uma das necessidades mais básicas das relações humanas: ter um espaço seguro para falar.

Dalva destaca que o compromisso de sigilo impede que sejam expostos conteúdos específicos das ligações recebidas. É possível, no entanto, afirmar que as pessoas procuram o serviço para conversar sobre diferentes situações e sentimentos.

O respeito ao anonimato é parte fundamental da proposta.

Para quem procura ajuda, saber que existe um espaço de escuta pode representar a possibilidade de falar sobre aquilo que, naquele momento, não consegue compartilhar com familiares, amigos ou outras pessoas próximas.

O telefone 188 é gratuito e funciona 24 horas.

A PREVENÇÃO NÃO CABE EM UMA CAMPANHA

Talvez uma das principais mensagens que o Setembro Amarelo possa deixar seja justamente a necessidade de não depender exclusivamente do Setembro Amarelo.

Uma campanha pode abrir espaço para o debate, mas não substitui políticas públicas, serviços de saúde, profissionais capacitados, assistência social, educação, espaços de convivência e relações humanas fortalecidas.

Também não existe uma única explicação para o sofrimento de uma pessoa.

Por isso, responsabilizar exclusivamente o indivíduo por sua condição pode ser uma forma de ignorar fatores sociais, econômicos e familiares que também interferem na saúde mental.

O trabalho desenvolvido pelo CAPS de Torres parte dessa compreensão.

A rede de atenção psicossocial pressupõe que diferentes serviços atuem de maneira articulada. A atenção primária pode ser uma porta de entrada. O ambulatório possui sua função. O CAPS atende situações específicas. O pronto atendimento e o SAMU podem ser acionados em situações de urgência. Escolas, assistência social, esporte, cultura e outros setores também possuem responsabilidades.

Nenhum serviço, isoladamente, consegue dar conta da complexidade da saúde mental.

Da mesma forma, nenhum profissional consegue responder sozinho a todas as necessidades de uma pessoa.

Por isso, a equipe do CAPS é multiprofissional e o cuidado é construído de maneira individualizada.

MAIS DO QUE FALAR, É PRECISO SABER COMO FALAR

Em uma sociedade na qual o debate sobre saúde mental ganhou espaço nas redes sociais, outra questão se torna fundamental: a qualidade da informação.

Falar sobre prevenção ao suicídio exige responsabilidade. A exposição inadequada de histórias, a utilização de termos sensacionalistas ou a simplificação de situações complexas podem causar efeitos indesejados.

Para Heloisa, essa preocupação precisa estar presente especialmente durante o Setembro Amarelo, quando o tema passa a aparecer com maior frequência na mídia e nas redes sociais.

O objetivo deve ser ampliar a compreensão e facilitar o acesso à ajuda, e não provocar medo, culpa ou sofrimento adicional.

Para jornalistas, comunicadores e produtores de conteúdo, isso significa tratar o assunto com cuidado, evitar detalhes desnecessários e priorizar informações que possam orientar e acolher.

Para a comunidade, significa compreender que uma pessoa em sofrimento não precisa necessariamente de um discurso pronto.

Às vezes, precisa de alguém disposto a permanecer por perto.

A SAÚDE MENTAL COMO RESPONSABILIDADE COLETIVA

A discussão proposta pelo Setembro Amarelo também permite olhar para situações que fazem parte da rotina.

Como estão os vínculos familiares? Como está o ambiente de trabalho? Existem espaços de convivência? As pessoas conseguem acessar serviços de saúde? Crianças e adolescentes encontram adultos disponíveis para conversar? Idosos têm companhia e participação social? Pessoas em sofrimento sabem onde procurar ajuda?+

São perguntas que não possuem respostas simples.

Mas são justamente essas perguntas que ajudam a deslocar a discussão de uma visão exclusivamente individual para uma perspectiva coletiva.

A saúde mental é influenciada pelas relações e pelo ambiente em que cada pessoa está inserida.

Por isso, promover saúde mental também significa criar cidades nas quais as pessoas possam conviver, praticar esportes, participar de atividades culturais, estudar, trabalhar, acessar serviços públicos e construir vínculos.

Em Torres, iniciativas como as oficinas do CAPS, as assembleias, o Bloco Zé da Bandana e as atividades abertas à comunidade mostram que esse cuidado pode assumir diferentes formas.

O mesmo vale para uma conversa entre amigos, para um familiar que percebe uma mudança de comportamento, para um professor que oferece espaço de escuta ou para um colega de trabalho que pergunta, de maneira sincera, como o outro está.

UMA REDE QUE PRECISA SER ACIONADA

Prevenção também significa saber que ninguém precisa enfrentar sozinho uma situação de sofrimento intenso.

Existem diferentes portas de entrada para buscar ajuda, e o serviço adequado depende da situação de cada pessoa.

Na rede pública, unidades básicas de saúde, serviços especializados, CAPS, pronto atendimento e SAMU integram essa estrutura de cuidado. Em situações nas quais a pessoa precisa simplesmente de alguém para conversar, o CVV oferece atendimento pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia.

Buscar ajuda não deve ser interpretado como sinal de fraqueza.

Pelo contrário: reconhecer que algo não está bem e procurar apoio pode ser um passo importante para atravessar um período difícil.

Da mesma forma, familiares e amigos não precisam assumir sozinhos a responsabilidade pelo cuidado. A rede existe justamente para compartilhar essa tarefa.

O SETEMBRO QUE CONTINUA EM OUTUBRO

Quando setembro terminar, a saúde mental continuará fazendo parte da vida das pessoas.

Os problemas familiares continuarão existindo. As dificuldades financeiras, os conflitos, as mudanças, as perdas, as cobranças, os desafios profissionais e as diferentes formas de sofrimento continuarão fazendo parte da realidade.

Por isso, a principal contribuição de uma campanha como o Setembro Amarelo pode ser deixar uma pergunta que permaneça depois que as faixas amarelas forem retiradas: o que estamos fazendo, no dia a dia, para que as pessoas tenham mais espaço para falar e sejam menos sozinhas diante de suas dificuldades?

A resposta passa pelos serviços públicos, mas também pelas relações.

Passa por políticas públicas, mas também pela comunidade.

Passa pelo atendimento especializado, mas também pela capacidade de ouvir.

O trabalho do CAPS em Torres mostra que prevenção não se resume a uma atividade realizada em setembro. Está nas oficinas, nos grupos, nas assembleias, nos atendimentos, nas visitas, na participação dos usuários e na construção de vínculos ao longo de todo o ano.

O trabalho do CVV segue uma lógica semelhante ao colocar a escuta no centro de sua campanha.

No fim, talvez a mensagem mais importante seja justamente essa: ouvir é uma forma de presença.

E estar presente pode significar muito para quem atravessa um momento de sofrimento.

Se alguém estiver passando por uma situação de sofrimento emocional e precisar conversar, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de oferecer outros canais de atendimento. Em situações de urgência ou emergência, os serviços de saúde e o atendimento de emergência devem ser acionados.