Festival reuniu emoção, turismo, grandes disputas e debate sobre o futuro do maior evento de balonismo da América Latina em Torres
O 36º Festival Internacional de Balonismo de Torres terminou deixando no céu da cidade mais do que imagens coloridas e provas emocionantes. A edição deste ano foi marcada por disputas de alto nível técnico, grande participação do público, fortalecimento dos pilotos locais e também por reflexões sobre o futuro do maior evento de balonismo da América Latina. Entre elogios à organização e apontamentos sobre desafios estruturais, o festival reafirmou sua importância para o turismo, a economia e a identidade cultural do município.
A avaliação da Federação Gaúcha de Balonismo (FGB) foi positiva. Mesmo com as condições climáticas desfavoráveis registradas no sábado, que impediram a realização de provas competitivas, o domingo garantiu voos dentro do esperado e momentos considerados emblemáticos, como os pousos na faixa de areia e os voos ao pôr do sol, que voltaram a encantar moradores e turistas.
Outro destaque apontado pela entidade foi o crescimento técnico dos pilotos torrenses. Diversos competidores da cidade figuraram entre os primeiros colocados da competição, demonstrando a evolução das equipes locais e o fortalecimento do balonismo em Torres.
KAIO CHEMIN CONQUISTA O TÍTULO DA 36ª EDIÇÃO
O grande campeão do Festival Internacional de Balonismo de 2026 foi o piloto paranaense Kaio Chemin. A conquista consolidou uma trajetória de evolução constante nos últimos anos.
Entre 2023 e 2025, Kaio saiu de um 26º lugar no Campeonato Brasileiro para resultados expressivos em competições estaduais e nacionais. Em 2024, venceu a etapa de Rio Branco do Ivaí e manteve presença frequente entre os principais nomes do circuito. Já em 2025, confirmou a regularidade com a vitória na Copa Paranaense em Castro e o terceiro lugar no festival de Torres.
Na edição deste ano, o piloto demonstrou consistência ao longo das provas e terminou no topo da classificação geral. Durante entrevista concedida à Rádio Maristela após o evento, Kaio apresentou uma análise técnica e também afetiva sobre o festival, defendendo a valorização da essência do balonismo.
“Quem vem ao festival quer ver balão. É isso que encanta”, afirmou.
Segundo ele, apesar da boa estrutura do evento, ainda existem momentos em que o parque permanece sem balões inflados, justamente quando muitas famílias aguardam pela experiência visual que caracteriza o festival. Para o campeão, ampliar a presença dos balões ao longo do dia é um caminho importante para fortalecer a conexão com o público.
COMPETIÇÃO E TRADIÇÃO EM EQUILÍBRIO
Outro ponto levantado por Kaio Chemin envolve o equilíbrio entre o caráter competitivo e o ambiente tradicionalmente familiar do festival. O piloto reconhece a importância do alto nível técnico das disputas, mas alerta para a necessidade de preservar a convivência entre pilotos, equipes e visitantes.
“O balonismo nasce da convivência, da família, da troca entre pilotos e público”, destacou.
As observações do campeão abriram espaço para um debate recorrente entre pilotos e organizadores: como manter a competitividade sem perder o aspecto popular e turístico que tornou Torres referência internacional no esporte.
Kaio também falou sobre a experiência das delegações estrangeiras, apontando dificuldades especialmente relacionadas à hospedagem. Para ele, o acolhimento precisa acompanhar o tamanho e a relevância do festival. Entre as sugestões apresentadas está a possibilidade de programas de hospedagem solidária com apoio da comunidade local.
Na área educacional, o piloto defendeu maior aproximação do evento com as escolas, promovendo visitas guiadas, palestras e integração entre estudantes e pilotos.
“É assim que se forma público e se inspira novos profissionais. A gente planta hoje para colher amanhã”, comentou.
Apesar das ponderações, Kaio reconheceu avanços na organização e destacou a segurança como um dos pontos mais sólidos da atual estrutura do balonismo brasileiro. Segundo ele, as novas regras de fiscalização ajudam a qualificar o esporte e separar profissionais preparados de aventureiros.
A EMOÇÃO DA PROVA DA CHAVE
Entre os momentos mais aguardados do festival esteve novamente a tradicional prova da chave, considerada um dos símbolos do evento. Neste ano, a disputa premiou o vencedor com um automóvel Onix zero quilômetro e reuniu milhares de pessoas na arena.
A dinâmica da prova exige extrema precisão dos pilotos. Durante o voo, os competidores precisam se aproximar de um mastro instalado na arena central e retirar uma chave simbólica presa na estrutura. Quem consegue pegar o objeto garante automaticamente a premiação.
Em 2026, o grande vencedor da prova foi o piloto torrense Alisson Melo Monteiro, em um dos momentos mais celebrados da edição.
A conquista teve um significado especial para Alisson, que iniciou sua trajetória no balonismo há poucos anos após superar o medo de altura. Natural de Torres, ele se tornou piloto em 2020 e, desde então, vem participando de festivais e competições em diferentes cidades do país.
A Federação Gaúcha de Balonismo destacou o elevado grau de dificuldade da prova e a precisão necessária para alcançar o prêmio.
Além da prova da chave, o domingo também contou com a disputa da prova do maçarico, que oferecia equipamento avaliado em aproximadamente R$ 30 mil, ampliando ainda mais a expectativa do público.
ECONOMIA SENTE IMPACTO POSITIVO
Além do aspecto esportivo e turístico, o festival também voltou a movimentar fortemente a economia local. Segundo a presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Norte, Ivone Ferraz, a taxa de ocupação durante o evento chegou a 90%.
O índice foi considerado positivo pelo setor, embora tenha ficado abaixo dos 100% registrados na edição anterior. Ainda assim, hotéis, pousadas, bares e restaurantes registraram aumento significativo no movimento ao longo dos dias de programação.
A presença de turistas de diversas regiões do Rio Grande do Sul e de outros estados ajudou a aquecer setores ligados ao comércio, gastronomia e serviços. A prefeitura de Torres foi procurada pela reportagem, mas até o fechamento desta reportagem não havia retornado.
RÁDIO MARISTELA
A Rádio Maristela também teve participação de destaque durante o 36º Festival Internacional de Balonismo, realizando uma cobertura especial diretamente do Parque do Balonismo ao longo dos quatro dias de evento. Com estrutura montada dentro do parque, a emissora levou informações em tempo real pela FM 106.1, redes sociais e canal no YouTube, aproximando ainda mais o público de tudo o que acontecia no festival.
A programação foi transmitida ao vivo 24 horas por dia, acompanhando provas, bastidores, entrevistas, movimentação do público e shows nacionais. Além da cobertura jornalística, a equipe da rádio também foi responsável pela abertura dos shows no palco principal, promovendo interação com o público, animação e distribuição de brindes durante as noites do evento.
A operação especial mobilizou profissionais da emissora em diferentes frentes de atuação, consolidando uma das maiores coberturas já realizadas pela Rádio Maristela em eventos do município.
A cobertura contou com o apoio de patrocinadores parceiros: Escola Impulso Torres, Redemac Bomagg, Oral Sin, Asun, CEEE Grupo Equatorial, Dudas Car, Cacau Show, Pizzaria Dom Moretto e Cervejaria Perkins.
PLANEJAMENTO APARECE COMO PRINCIPAL DESAFIO
Mesmo com o saldo positivo, a Federação Gaúcha de Balonismo reconhece que a edição deste ano enfrentou dificuldades importantes relacionadas ao tempo reduzido de preparação.
Segundo a entidade, a confirmação oficial do festival ocorreu com cerca de um mês de antecedência, o que impactou diretamente a logística, a captação de patrocinadores e a presença de pilotos internacionais.
A federação destacou ainda o esforço das equipes organizadoras, que precisaram conciliar o trabalho no evento com atividades profissionais e pessoais. Para os organizadores, um prazo maior permitiria qualificar ainda mais a estrutura, ampliar o número de competidores estrangeiros e melhorar a experiência tanto para o público quanto para os pilotos.
A expectativa agora é que as próximas edições contem com maior antecedência de planejamento e ampliação do período de realização, fortalecendo ainda mais a imagem de Torres como um dos principais polos do balonismo no Brasil.
Ao final da edição de 2026, ficou evidente que o Festival Internacional de Balonismo segue sendo muito mais do que uma competição esportiva. O evento permanece como símbolo da identidade torrense, reunindo emoção, turismo, tradição e espetáculo em um cenário que transforma o céu da cidade em patrimônio cultural e afetivo de milhares de pessoas.
Foto: Grupo Maristela