No domingo passado, ouvimos o belíssimo texto de Jo 14,1-15, onde Jesus se apresentou aos discípulos como “o caminho, a verdade e a vida”. Continuando nesse mesmo capítulo, Jesus manifesta sua amizade e desejo de comunhão eterna com os seus. O contexto é de despedida por ocasião da última ceia. Toda despedida implica um misto de alegria e tristeza. Alegria porque é uma reunião entre amigos e tristeza porque toda despedida parece romper uma relação, criar um distanciamento.
Isso me fez lembrar minha experiência: ao sair de casa, aos 15 anos de idade, para ir ao seminário. Aquele nó na garganta ao despedir-me dos meus pais e irmãos. A alegria de ir para construir meus sonhos e, ao mesmo tempo, a tristeza do distanciamento, de ficar um período sem vê-los. Experiência que se repetia toda vez que ia de férias e depois voltava ao seminário. Isso é compreensível, porque as nossas relações familiares eram profundamente humanas e de verdadeiro amor.
Na última ceia, reina um ar de despedida, e Jesus vai dizendo algumas palavras importantes que marcaram o discípulo amado e podem mexer com nosso coração: “Se me amais, observai meus mandamentos. Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor que ficará sempre convosco: o Espírito da Verdade… Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós… Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós”. E segue com suas declarações cheias de afeto e verdadeira amizade: “Se alguém me ama, guardará minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras”.
Vendo a perplexidade dos seus, sente a necessidade de acrescentar, como para dizer de não terem medo: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos tenho dito… Não se perturbe nem se atemorize o vosso coração”.
O que significa esse jeito de falar de Jesus? Em que sentido “guardar a palavra”? Creio que fica evidente a necessidade de acolhê-la no coração e deixar que anime nossas vidas, modele nosso jeito de ser, pensar, rezar e agir. Deixemos que essa palavra mexa conosco, com nosso coração, cativando-nos ao seu seguimento, a buscá-lo de coração, deixando-nos amar e respondendo com amor.
Aquele que nos amou primeiro e que está muito mais perto de nós do que imaginamos deseja uma relação de proximidade, uma amizade sincera e cheia de confiança. Fica a pergunta: eu amo Jesus? Guardo a sua Palavra? Que lugar Ele ocupa na minha vida?