Esse foi o tom do discurso de uma pessoa que se intitula líder de uma nação. A gravidade exige a transcrição literária de seu pensamento: “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada…”
Por mais folclórico que tenha se tornado suas falas – algo do tipo: a gente ouve mas sabe que são apenas “bravatas”, é extremamente grave o que aí se afirma.
Como pode alguém assumir a prepotência de ameaçar “uma civilização”?
Fosse legítima a reivindicação, seria igualmente legítimo eliminar um vizinho que representa uma ameaça? Bastaria, para tanto, ter forças (entenda-se aqui armas) suficientes para se impor? É legítima a ideia de uma “lei do mais forte”?
Entendo que até mesmo a divindade invocada por alguns povos não arrogou-se tal “direito”. No relato mítico de um dilúvio, espécie alguma foi extinta. Por mais que se justificasse o “arrependimento” da ação criadora, as criaturas passaram a ter autonomia e o direito de existir. Como podemos então aceitar o pensamento de alguém assumindo a postura de ameaçar de extinção toda uma civilização?
Uma pessoa com estas ideias também não precisa ser extinta. Seria incoerente. Mas não pode, de forma alguma, requerer o título e estar na posição de liderança.
E, no entanto, não é apenas um delírio. É alguém que se sustenta porque um grupo lhe concede este status e poder. Este líder não está traindo a confiança que lhe foi delegada. Antes pelo contrário, está sendo coerente com o que lhe foi característico. Basta lembrar que ameaçou esculhambar toda uma estrutura democrática da qual faz parte e lhe permitiu participar para estar onde está.
O que precisamos é romper com modelos que permitem o fortalecimento de tais personalidades. E só vai acontecer com mentes esclarecidas, com capacidade de ler e entender a vida e o mundo para além das bolhas em que se encontram mergulhadas.
O processo é complexo e o risco de “extinções” é real.
“Uma civilização será extinta…”
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