O feriado de carnaval é um demarcador de tempos. Já foi em outros momentos quando as referências eram predominantemente religiosas. Mas ainda o é numa sociedade que se diz laica. Estabelece uma espécie de baliza entre um período de férias e o retorno à vida normal. Exemplo disso é a retomada do ano escolar.
Nestes dias que antecedem, muitas escolas – dentre elas a rede estadual, fazem seus ensaios para a largada. Encontros, jornadas de formação e planejamento ocupam um espaço que, em outras épocas, era de recesso.
Há uma preocupação com as diretrizes e um olhar para o todo. Em meio a muitos palavreados, a ideia de preparar as crianças, adolescentes e jovens para a vida e para o mundo se destaca como missão. E sobre esta premissa desenham-se planejamentos.
Mas há algo mais profundo no plano das previsões que infelizmente ocupa poucos espaços nestes planejamentos. Refiro-me aos conceitos de vida e de mundo. Quando apontamos para a dimensão do educar para a vida e para o mundo, a que vida e a que mundo estamos nos referindo? Temos esta clareza?
Parece que vida e mundo é o que já está posto, já está dado. E de fato está. Mas porque foi construído desse jeito. Não como um elemento natural, senão sócio-cultural. Projetado, pensado e concretizado a partir de interesses e entendimentos.
Pouco paramos para pensar a vida e o mundo que queremos. E quando as escolas e os modelos de educação apontam para o protagonismo das novas gerações deveriam também abrir as portas para discutir modelos de vida e de mundo.
Todos estes ritos de carnaval, por exemplo, são também recursos simbólicos que reforçam a ideia de mundo que nos é passada. Mas também, em alguns espaços, como a avenida das escolas de samba, é possível observar provocações de outros mundos ainda possíveis de serem construídos. É válido conferir.