Duas moradoras de Torres registraram boletins de ocorrência relatando supostas fraudes bancárias envolvendo o AGIBANK S/A. Os casos, distintos entre si, foram formalizados no mesmo período e estão sob apuração das autoridades policiais, sendo tratados, até o momento, como suspeitas, sem conclusão definitiva sobre responsabilidades.
O primeiro caso envolve a aposentada e pensionista do INSS Maria de Fátima Claudino Machado. Ela informou que iniciou o ano de 2026 com um valor inferior ao habitual depositado em seu benefício previdenciário. Ao procurar a agência do INSS em Torres, obteve extrato detalhado e foi informada da existência de um empréstimo consignado vinculado ao AGIBANK S/A, no valor total de R$ 115.907,37, parcelado em 96 vezes de R$ 1.207,37, com suposta contratação datada de 8 de setembro de 2025.
Segundo o relato, Maria de Fátima afirma que não reconhece a contratação, nunca manteve relacionamento bancário com a instituição e que, na época indicada no contrato, encontrava-se afastada de suas atividades em razão de uma fratura no pulso, tendo passado por cirurgia poucos dias depois. Outro ponto apontado é que o primeiro desconto ocorreu apenas em janeiro de 2026, cerca de quatro meses após a data indicada para a contratação.
A moradora buscou esclarecimentos junto ao correspondente do AGIBANK S/A em Torres, onde foi informada de que, para ter acesso à cópia do contrato, seria necessário realizar cadastro biométrico e facial. Ela relata que se recusou a fornecer os dados, por sustentar não ter autorizado o empréstimo. Na Caixa Econômica Federal, onde é correntista, não houve comprovação de ingresso do valor em sua conta.
A Rádio Maristela esteve no correspondente bancário do AGIBANK S/A no município e foi informada de que a ausência de cadastro biométrico impediria o fornecimento do contrato. A emissora encaminhou questionamentos formais à instituição, concedendo prazo de 48 horas para resposta, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.
No mesmo dia da publicação desse caso, uma segunda moradora, Jussara de Fátima Almeida Corrêa, registrou ocorrência relatando movimentações bancárias que afirma não reconhecer em sua conta vinculada ao AGIBANK S/A. Segundo o boletim, foram identificados pagamentos via Pix para empresas desconhecidas, identificadas como AJC Gateway LTDA e WF Intermediação LTDA, além da liberação de um consignado digital no valor de R$ 341,75, operações que a vítima afirma não ter solicitado nem autorizado.
Jussara declarou ainda que não forneceu senhas, códigos de verificação ou qualquer autorização a terceiros e anexou imagens do extrato bancário à ocorrência, destacando que os comprovantes das transações não aparecem no aplicativo da instituição.
O delegado titular da Polícia Civil de Torres, Marcos Vinícius Muniz Veloso, confirmou que tem conhecimento dos casos e de outras ocorrências semelhantes em investigação. Ele explicou que, na esfera cível, as vítimas podem buscar ressarcimento por meio do Judiciário, enquanto, no âmbito criminal, há apurações de caráter mais amplo em andamento, que seguem sob sigilo.
Os casos locais ocorrem em um contexto nacional de apurações sobre crédito consignado. Em dezembro de 2025, o INSS anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do recebimento de novas averbações de crédito consignado do AGIBANK S/A, após auditoria da Controladoria-Geral da União identificar indícios de irregularidades em contratos. As conclusões ainda serão analisadas em processo administrativo, com garantia de ampla defesa e contraditório.
As ocorrências registradas em Torres seguem em investigação. O espaço permanece aberto para manifestação do AGIBANK S/A.
FOTO: REPRODUÇÃO/AGIBANK