Nestes dias em que notícias na briga pelo poder ocupam as primeiras páginas dos principais meios de comunicação, é importante também sentir-se provocado a pensar nesta dimensão da vida humana que é o exercício de poder.
O que vemos, de forma escancarada, é o poder econômico financiando o poder político em contrapartida de um poder político coagido e a serviço do poder econômico. Parece um círculo vicioso sem volta. Dinheiro gerando poder e poder sustentando fortunas. Por outro lado, pobres cada vez mais pobres, embora dominados pelo ilusório sonho de um dia também entrar no círculo.
Seria desanimador se estes fatos recentes fortalecessem a lógica de que “sempre foi assim”.
É preciso resgatar também outros acontecimentos, não presentes na grande mídia mas que fortalecem a possibilidade de um outro mundo possível, numa lógica divergente destes círculos.
Participei de um momento de instauração e posse do Conselho Escolar, com participação de representantes de todos os segmentos da comunidade escolar (pais/responsáveis, alunos, servidores de escola e professores) e mais uma representação da comunidade local.
O que foi marcante neste evento é o fato de o grupo assumir a postura e convicção de que o poder pode não ser uma questão de hierarquia. Aí, como instância consultiva, fiscalizadora e ainda executiva no processo de educação, ficou claro que o poder é um exercício compartilhado onde o que prevalece é a soma de diferentes olhares. É apenas um dos espaços em que é possível um verdadeiro exercício de democracia e permite também manter viva a esperança de que “círculos” “circos” podem ser superados.
Por mais que estes mesmos espaços, em algumas situações, sejam apropriados como manifestação de autoritarismo, são também um potencial de vida compartilhada.
A ideia de que “sempre foi assim” pode estar equivocada.
Coisas do Poder
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