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Frei Sérgio e a morte como memória.

por Nicole Corrêa Roese

Ouvi pela boca de muitas pessoas que a única certeza que podemos carregar é a certeza da morte.

Ainda assim, ela sempre chega surpreendendo. E todo o dia a surpresa bate à porta de mais alguém.

Um grupo expressivo Iniciou a semana impactado pela morte de Frei Sérgio Görgen. Especialmente os mais próximos que o viram, alguns dias antes, escrever uma retrospectiva quando celebrava seus 70 anos de vida. Momento em que fazia memória de situações que o permitiram chegar onde chegou. Uma vida marcada por muitos desafios e enfrentamentos, especialmente ao lado de uma categoria que são os camponeses da agricultura familiar. Foi protagonista de muitas ações propositivas como religioso e como agente político. Esteve presente e atuou na articulação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), uma organização que atua em defesa deste grupo. Atuou também como Deputado Estadual na condição de representante das causas do grupo que o elegeu. No meio religioso, uma pessoa de testemunhos e provocador na linha do pensamento indicativo de uma fé evangélica encarnada na história.

Em meio a tantas manifestações de lamento pela “perda” alguns aspectos merecem ser destacados.

A morte se transforma num momento de memórias. Morrer não é desaparecer, mas mergulhar num espaço de memórias. E quem mais se movimentou para marcar a história mais facilmente provoca recordações. Eventos que não apenas ficam em registros, como também se consolidam na condição de propostas. Memória não é apenas passado. Memória é também um projeto de futuro.

Sem desmerecer os que morrem também esquecidos por fatores os mais diversos, é esperançoso quando a morte se transforma em memória que faz sonhar expectativas de futuro.