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Natal Luz

por Nicole Corrêa Roese

Retomo um ditado que me acompanha há muitos anos e em muitas circunstâncias: “quando não sabemos para onde estamos indo, qualquer caminho serve”. Inclusive caminhos de alto risco ou trajetos que nos fazem retroceder.

Encosto a ideia no “espírito natalino”.

É significativo ver as pessoas envolvidas com as comemorações de Natal. O clima é de paz, amizade e valorização dos laços fraternos. Um sentimento de familiaridade que ultrapassa vínculos de sangue. Tornaram-se comuns as confraternizações entre colegas, pessoas com quem dividimos mais tempo do que aquelas identificadas como família.

Natal é um convite para a confraternização e a gratuidade expressa na troca de presentes, na maioria das vezes simbólicos.

Embarcamos juntos nesta viagem.

Mas para onde estamos indo? O que o Natal nos propõe como caminho?

Para muitos, a celebração da esperança pelo nascimento de uma criança no espaço de uma estrebaria.

Sabemos que, historicamente, não há nenhuma evidência que sugira a data de 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus. Sabemos também que a referência no calendário diz respeito a uma festividade em homenagem ao sol, reconhecido com poderes divinos por muitos povos. E a reverência ao sol era uma saudação à fonte de vida num processo cíclico que se renova. Uma festividade para recordar a dimensão dinâmica da vida que se reinventa. No hemisfério norte, a recordação de uma luminosidade que vai se impondo sobre as trevas. Os dias passam a se impor sobre as noites.

Para os cristãos, a verdadeira luz que se impõe é Cristo como referência de vida que se consome ao promover mais vida aos demais, especialmente naquelas circunstâncias em que se encontra mais oprimida. É vida que provoca vida.

Esse é o rumo, o caminho do espírito natalino.

Não mergulhar nessa ideia é tomar um caminho de risco que pode nos fazer retroceder para mais trevas e menos luz.