O Poder

por Nicole Corrêa Roese

O tema do poder tem despertado muitas interpretações e discussões ao longo da história do pensamento humano. Alguns elementos tendem a se consolidar. Um deles é a ideia de que o poder, para se legitimar, necessita de reconhecimento. Quando não acontece, se impõe por um exercício de força que o sustenta pelo medo. Uma forma de opressão repudiada pelos amantes da democracia.
Trago estes elementos para olhar a disputa pelo poder nas eleições secundárias que aconteceram nos EUA. Ouvi de um jornalista, numa das redes hegemônicas, que “o mundo todo” estava acompanhando o resultado deste pleito com muita atenção. Como se fosse uma eleição “mundial”.
Vejo nesta afirmação uma atitude de legitimação do domínio norte americano que ambiciona se afirmar como a maior potência mundial. Independente do resultado, é construído um imaginário de poder direcionado a esta federação de Estados. Atribuir destacada importância a uma disputa interna é legitimar um poder para além das suas fronteiras. Enquanto gozar deste prestígio mantém seu poder.
A melhor forma de resistir a esta força é ignorar sua importância. Compreender e assumir o pensamento de que a vida e as próprias relações de poder internacional podem acontecer apesar e para além da vida norte americana é deslegitimar suas pretensões de domínio.
E quanto à importância, também é uma atribuição que não necessariamente condiz aos fatos.
É desta forma que se reproduz a ideia de poder da classe política dos EUA. E só é poder enquanto legitimados pelo reconhecimento internacional. Um serviço que a grande mídia vai exercitando.O planeta não depende prioritariamente do que acontece nesta nação.
Caso dedicássemos a mesma atenção para outros enfrentamentos que acontecem em espaços diversos, como as manifestações que ocorrem na França ou lutas populares em países considerados marginais, poderíamos interpretar o poder e a democracia por outros horizontes.