Há pelo menos uma década, quando das mobilizações pela destituição do governo Dilma, tenho observado um movimento que fortaleceu a cultura do ódio. Não se trata de uma invenção brasileira, mas aqui tomou proporções a partir deste episódio. Para justificar e sustentar a decisão de romper um um ciclo de governo foi necessário legitimar a iniciativa. E o caminho escolhido foi caracterizar algumas ações como malévolas e junto a elas despertar o repúdio através do “ódio ao que é mau”. O mesmo processo foi visível por ocasião da “operação lava-jato”. Em ambos os casos, posteriormente, ficou comprovado tratar-se de iniciativas fraudulentas.
Entendo legítimos os embates pelo poder. A história vem recheada deles. Interesses diversos conflituam e justificam suas lutas. O que tem se tornado muito perigoso nestes processos é o ódio como arma de ataque. Porque, num primeiro momento, esta atitude disseminada tem uma direção específica mas logo se multiplica já sem controle, desencadeando o que podemos chamar de “cultura do ódio”. E quando se instala passa a não ter limites. Alimenta-se diariamente com qualquer migalha de não verdade amplificada pelas redes sociais.
O que bate em nossas portas, agora recentemente, são as listas de pessoas e estabelecimentos a serem evitados, como espaços do mal, pela suposta escolha política expressa em voto. E não é só isto. Comentários demonizam pessoas e grupos. Incitam o ódio.
A história nos mostra que esse caminho pode nos conduzir a verdadeiras catástrofes humanas. Foi assim que o movimento nazista iniciou sua legitimação: apontando pessoas e comércios judeus. Exigindo inclusive que utilizassem uma marca para que todos os demais pudessem identificar para melhor se “proteger”. Como se fosse a “marca da besta” apocalíptica.
Só uma arma pode nos tirar deste atoleiro: fortalecer movimentos pela paz. Todo dia acordar e colocar diante de si mesmo a pergunta: o que posso hoje fazer pela paz?
Sugiro nos deixar embalar pela canção “A PAZ” do grupo Roupa Nova. É só procurar na internet.