O Bom Dia Litoral reúne notícias locais e regionais, previsão do tempo, esporte e música; o Revista Maristela combina entrevistas, informação, prestação de serviço e descontração.
“São seis horas e vinte e nove minutos. A temperatura é de 16 graus. Sol com nuvens, tempo bom.” A voz de Nataniel Silva chega acompanhada das primeiras informações do dia, do tempo e das notícias da região e daquela conversa que, aos poucos, desperta quem está do outro lado do rádio. Na sequência, o convite para acompanhar mais uma manhã de informação.
“No ar, o programa Revista Maristela, o seu encontro de todas as manhãs! Bom dia, Leonir Alves!” “Booooooooooooommmm diiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaa! São nove horas e cinco minutos.” Padre Leonir Alves assume o microfone às 9h05, e abre espaço para mais um encontro com os ouvintes no Revista Maristela.
Duas vozes, dois programas, uma mesma casa. Entre as primeiras notícias do dia e o convite para folhear os assuntos da atualidade, a Rádio Maristela passou a fazer parte da rotina de milhares de pessoas. Está presente em quem ouve enquanto prepara o café, acompanha o noticiário a caminho do trabalho ou mantém o rádio ligado em casa. Mesmo para quem está longe de Torres, a programação pela internet mantém viva a conexão com a região e a sensação de estar perto de casa.
Nos dias 26 de outubro e 08 de novembro de 2026, o Bom Dia Litoral e o Revista Maristela, respectivamente, completam 20 anos. A celebração, porém, não cabe apenas na história de dois programas. Ela remete a uma transformação mais ampla, a de uma emissora que completará 70 anos em 2028, com cerca de sete décadas de trajetória que se renovou, ampliou sua programação, incorporou novas tecnologias e fortaleceu sua presença na comunidade sem abrir mão de valores essenciais ao jornalismo, como a seriedade, responsabilidade e credibilidade.
A criação dos dois programas marcou uma virada de chave na história da Rádio Maristela, que passou a investir em uma grade de programação própria, com atrações identificadas com a emissora, e não apenas com seus apresentadores. Até então, os programas estavam diretamente ligados aos profissionais que os conduziam e, quando eles deixavam a rádio, as atrações também acabavam. Diretor da emissora e apresentador do Revista Maristela há quase 18 anos, padre Leonir Alves recorda que o Bom Dia Litoral nasceu com a proposta de reunir as principais notícias do dia, enquanto o Revista Maristela surgiu para aprofundar os assuntos de interesse da comunidade, por meio de entrevistas e pautas diversificadas.
“Os dois programas surgem no momento em que a nossa gestão assume a Rádio Maristela e pensa na criação de programas da própria rádio”, destaca o diretor.
AS ORIGENS NO RÁDIO

A história do Bom Dia Litoral começou em 2006, na Rádio Maristela ZYK 311, 1380 AM. Na época, a programação tinha outros ritmos, os recursos eram diferentes e a relação com o público acontecia principalmente pela voz, pelo telefone e pela presença dos comunicadores nas ruas.
Nataniel Silva recorda que dividiu a apresentação inicial com Oliveira Júnior. Enquanto um conduzia parte do programa no estúdio, Nataniel saía com a Unidade Móvel para acompanhar os acontecimentos e buscar informações diretamente nos locais. Mais tarde, seu pai, Ananias Djalma da Silva, conhecido como Nia Djalma, também passou a fazer reportagens externas.
O rádio ultrapassava os limites do estúdio para levar à programação o que acontecia nos bairros, nas cidades e nas comunidades do Litoral Norte gaúcho e do Sul catarinense.
A participação dos ouvintes já fazia parte da proposta desde os primeiros anos. Em um registro de 26 de dezembro de 2006, Oliveira Júnior convidava o público a compartilhar notícias da vizinhança, da rua e da cidade. A comunidade era chamada não apenas a receber informações, mas também a contribuir com elas.
Após a saída de Oliveira Júnior e um período de menos de dois anos em que Nataniel esteve afastado da emissora, outros comunicadores assumiram a apresentação, entre eles Ariovaldo Rodrigues, já falecido, e Nilson Léo. Em outubro de 2011, Nataniel retornou ao comando do Bom Dia Litoral, onde permanece.
Duas décadas depois, ele reconhece as transformações no programa e na emissora. A chegada da FM ampliou as possibilidades de transmissão, mas, segundo ele, a essência continua a mesma: informar com seriedade e correção, mantendo espaço para a música, a leveza e a proximidade com os ouvintes.
“Os ouvintes são a razão do nosso trabalho”, resume Nataniel, ao projetar mais 20 anos de história para o programa.
INFORMAÇÃO EM REVISTA


Se o Bom Dia Litoral convida o público a começar o dia informado, o Revista Maristela propõe um passeio pelos assuntos que fazem parte da vida cotidiana.
Giba Figueiredo, primeiro apresentador do programa, recorda uma das aberturas que marcaram sua identidade: “Bom dia, você já abraçou seu filho hoje? Um abraço é uma demonstração de amor, e amor é a nossa maior arma contra as drogas”.
Na sequência, vinha a saudação que apresentava o formato: “É, saudade, assim iniciava o programa Revista Maristela. Aqui você vai folhear a revista…”.
A proposta era transformar o rádio em uma revista falada, com espaço para esporte, lazer, economia, política, meio ambiente e outros temas. A diversidade de pautas e entrevistas oferecia aos ouvintes um panorama dos acontecimentos e de diferentes aspectos da vida em sociedade.
Giba conta que o programa surgiu de um convite da equipe da Rádio Maristela e levou cerca de seis meses para ser estruturado. Ele recorda esse período com alegria e satisfação, assim como as histórias e experiências que marcaram sua trajetória.
Entre as lembranças mais significativas estão as enchentes na região de Mampituba e Praia Grande. Quando telefones e outros meios de comunicação falharam, o rádio tornou-se essencial para manter contato com as comunidades atingidas, transmitir orientações e mobilizar a solidariedade.
Giba recorda que mais de três caminhões de donativos partiram de Torres em direção às localidades afetadas. Naquele momento, a emissora foi além da informação: ajudou a conectar quem precisava de auxílio a quem podia colaborar.
Ao recordar os 20 anos dos programas, Giba reconhece o trabalho de padre Leonir Alves, diretor da emissora e atual apresentador do Revista Maristela, e do comunicador Nataniel Silva, que deram continuidade a essa história e contribuíram para seu crescimento.
MEMÓRIAS NO AR
A relação entre uma emissora e seus ouvintes se constrói também pelas lembranças, pelas vozes familiares e pelos acontecimentos compartilhados ao longo dos anos.
Aos 78 anos, Vandick Azeredo da Silva, de Torres, acompanha a Rádio Maristela desde 1961 e viu o Bom Dia Litoral nascer no AM, em 2006. Ao longo dessa trajetória, conheceu diferentes comunicadores e mantém o hábito de ouvir o programa pela variedade de assuntos.
Entre seus destaques estão as músicas escolhidas por Nataniel, a previsão do tempo, as notícias locais, regionais e internacionais, o futebol e o mercado financeiro. Vandick também reconhece o trabalho dos profissionais que fazem a emissora, entre eles a jornalista Melissa Maciel, na produção de conteúdo para o portal e o Jornal do Mar; Jedson Teixeira, na gestão; padre Leonir Alves, diretor do Grupo Maristela; e dom Jaime Pedro Kohl, bispo da Diocese de Osório e presidente do grupo. Para ele, a rádio segue presente em sua rotina, mesmo com as mudanças ao longo das décadas.
De Passo de Torres (SC), Lasier França também acompanha essa evolução. Ouvinte desde a época da AM 1380, segue conectado à programação em FM e divide as manhãs entre as notícias de Nataniel e as entrevistas conduzidas por padre Leonir.
Lasier destaca a diversidade de temas, a cobertura dos acontecimentos e o trabalho das unidades móveis, que aproximam o jornalismo das ruas. Também valoriza a possibilidade de participar: envia mensagens, sugere perguntas e acompanha as questões dos ouvintes levadas aos entrevistados por padre Leonir.
Essa interação aproxima o estúdio do público e reforça a confiança na emissora, construída pela escuta da comunidade, pela atenção às suas demandas e pelo compromisso com a apuração das informações.
O RÁDIO QUE APROXIMA
Em Roça da Estância, no município de Mampituba, Clarisse Pereira encontra no Revista Maristela uma companhia diária. Para ela, a programação reúne ingredientes que tornam as manhãs mais agradáveis: notícias, previsão do tempo, futebol, receitas, música, brincadeiras e descontração.
A diversidade de assuntos permite alternar informação e entretenimento, tornando o rádio parte da rotina e aproximando pessoas que, mesmo sem se conhecer pessoalmente, compartilham hábitos e referências.
Clarisse descreve essa relação como o sentimento de fazer parte de uma grande família. Sua definição resume o vínculo construído ao longo dos 20 anos do programa: “informação que aproxima, alegria que contagia e música boa que encanta”.
Histórias como a dela mostram que a trajetória dos programas também é construída pelos ouvintes: por quem começa o dia com as notícias, acompanha entrevistas durante o trabalho ou encontra na programação uma voz familiar que faz companhia.
RENOVAÇÃO E LEGADO


Os 20 anos do Bom Dia Litoral e do Revista Maristela coincidem com importantes transformações na comunicação. A passagem do AM para a FM é uma das mais visíveis, mas a renovação da Rádio Maristela também envolve a programação, os recursos técnicos, as formas de interação e a presença nos meios digitais.
A informação passou a circular por diferentes canais, ampliando as possibilidades de conexão com a comunidade. O desafio, porém, permanece: acompanhar as mudanças sem abrir mão da qualidade e da credibilidade.
Para Nilson Léo, que acompanhou parte dessa trajetória e também apresentou o Bom Dia Litoral, a Rádio Maristela é mais do que uma referência regional: é uma marca. Ele recorda que a emissora abriu suas portas quando tinha 14 anos e destaca a importância do programa em sua carreira profissional.
Nilson considera o Bom Dia Litoral uma iniciativa que revolucionou a maneira de fazer jornalismo na região. Entre os diferenciais, aponta a dinâmica, a atualização constante e a atenção ao Litoral Norte gaúcho e ao Sul catarinense, além do trabalho cuidadoso na preparação das informações. Ao parabenizar a emissora, reconhece também a contribuição da direção, especialmente de padre Leonir Alves.
Oliveira Jr., que apresentou o programa nos primeiros anos, recorda com carinho a equipe daquela época e destaca a chegada da Maristela FM 106 como um marco de renovação e crescimento.
Os relatos mostram diferentes perspectivas sobre essa evolução: a ampliação da estrutura e do alcance, a diversidade de conteúdos e as novas formas de acompanhar as notícias. Em comum, permanece o desafio de adaptar a comunicação às mudanças sem perder a identidade construída ao longo do tempo.
Às vésperas de completar 70 anos, a Rádio Maristela reafirma sua trajetória pela capacidade de se renovar, acolher novas linguagens e preservar valores essenciais ao jornalismo. Seriedade e credibilidade são compromissos renovados a cada notícia, entrevista e contato com os ouvintes.
O RÁDIO CONTINUA PERTO
Ao longo de duas décadas, o Bom Dia Litoral e o Revista Maristela acompanharam as mudanças na região, na tecnologia e nos hábitos de consumo de informação. Do AM às plataformas digitais, os programas ampliaram seu alcance sem perder a proximidade com os ouvintes.
Os depoimentos de Giba, Vandick, Lasier e Clarisse mostram diferentes faces dessa relação: a solidariedade em momentos difíceis, a companhia que atravessa gerações, a participação do público e a leveza de uma programação variada. Nilson Léo e Oliveira Jr., por sua vez, ajudam a resgatar os primeiros capítulos dessa trajetória.
No rádio, a memória permanece viva nas vozes reconhecidas, nas notícias que marcaram época e no hábito de ligar o aparelho para começar mais um dia na companhia de quem já faz parte da rotina.

