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Chamado à santidade

por Melissa Maciel

A Festa de Todos os Santos e a celebração de Finados nos fazem pensar na vida presente e futura. Todos sonhamos com um fim de glória, um fim feliz, um fim que não é um fim, mas o início de uma vida nova, plenificada em Cristo Jesus. A santidade à qual somos chamados não é para o futuro, mas para o aqui e agora.

No decorrer do ano, “a Igreja celebra as memórias dos mártires e dos confessores, de muitos homens e mulheres conduzidos à perfeição pela multiforme graça de Deus e recompensados com a salvação eterna, cantam nos céus o perfeito louvor de Deus e intercedem em nosso favor”.

A celebração de Todos os Santos é a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e resposta fiel da pessoa. A iniciativa é sempre de Deus. A nós, humanos, cabe o mérito de responder e corresponder ao dom de Deus.

Alguém a definiu assim: “A santidade pode ser comparada a um grande mosaico que reflete a grandeza da única santidade: Deus. Cada santo ou santa é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série, que emerge da fantasia; é realizada singularmente pela mão do Artífice divino”.

Muitas vezes, quando falamos do santo, somos tentados a apresentá-lo como pessoa perfeita, como se fosse um super-homem ou uma super-mulher, que entra continuamente em êxtase. Não é assim. Os santos são pessoas normais. Fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus, como cada um de nós, com seus limites e qualidades, mas se destacaram pela fé vivida e traduzida em obras de caridade, geralmente acompanhadas de uma profunda espiritualidade e vida de oração.

A grandeza deles aparece na sua pequenez, no fato de terem deixado a graça de Deus trabalhar neles. Não é o extraordinário e o grandioso aos olhos do mundo que faz o santo, mas o cotidiano vivido de forma coerente. Por isso, o Concílio Vaticano II foi muito feliz ao afirmar que “todos somos chamados à santidade”.

Nem todos entendem esse convite à santidade. Muitos pensam que o empenho para viver santamente lhes tira a liberdade, que não os deixa viver e ser felizes. Enganam-se redondamente, porque, quando uma pessoa se aproxima de Deus e leva uma vida arraigada na fé em Jesus Cristo, seu coração se abre, seus olhos ficam iluminados e as virtudes afloram, deixando-a cada vez mais feliz.

Todos podemos ser santos, não importa se temos muitas ou poucas qualidades. Cada um, vivendo fielmente sua vocação, pode ser aquela pedrinha importante no precioso mosaico da vida cristã.

Todos somos chamados a buscar a santidade de vida. Deixemos a graça de Deus trabalhar em nós, e os frutos serão abundantes.

Dom Jaime Pedro Kohl

Bispo de Osório