Home EspecialO que faz um relacionamento durar? Casais revelam os segredos de quem escolhe permanecer junto

O que faz um relacionamento durar? Casais revelam os segredos de quem escolhe permanecer junto

por Melissa Maciel

Do primeiro olhar ao compromisso de uma vida inteira, Alice e Daniel e Fabrícia e Éder mostram que relacionamentos saudáveis são construídos todos os dias.

O que faz um relacionamento durar? Casais revelam os segredos de quem escolhe permanecer junto

Em tempos de mensagens instantâneas, relações descartáveis e conexões que cabem na palma da mão, falar sobre amor pode parecer um exercício de nostalgia. Mas basta ouvir algumas histórias para perceber que o sentimento continua vivo, pulsando entre jovens que sonham com o casamento e casais que, décadas depois do primeiro encontro, ainda encontram razões para permanecer lado a lado.

O Dia dos Namorados, celebrado hoje, 12 de junho, é mais do que uma data para flores, chocolates ou jantares especiais. É uma oportunidade para refletir sobre aquilo que sustenta os relacionamentos quando o encanto dos primeiros meses dá lugar à rotina, às responsabilidades e aos desafios inevitáveis da vida.
Porque amar, no fim das contas, não é apenas sentir. É escolher.

PROJETO COMUM

Compartilhar sonhos, enfrentar desafios e crescer juntos fortalece os laços do amor

Alice Bernardo Steffen, 23 anos, e Daniel Francisco Soveral dos Santos, 22, ambos auxiliares administrativos, vivem o namoro com a fase dos preparativos para o casamento. Entre listas, escolhas, decisões e expectativas para o futuro, o casal está descobrindo que o compromisso não começa no altar, mas muito antes dele.

A história dos dois começou em 2018, quando se conheceram no CTG. Na época, seguiram caminhos diferentes, mas o destino reservava um reencontro. Em julho de 2023, voltaram a se encontrar no grupo da Igreja Católica que participam em Torres, o Movimento Emaús. Poucos meses depois, durante os bailes da Semana Farroupilha, a aproximação ganhou um novo significado.

Foi em uma dessas noites que Daniel convidou Alice para dançar. O gesto simples abriu espaço para conversas, descobertas e para o fortalecimento de uma conexão que já existia. Em dezembro de 2023, os dois começaram a namorar.

A certeza de que estavam construindo algo maior surgiu quando perceberam que compartilhavam não apenas sonhos semelhantes, mas também a disposição necessária para os transformar em realidade.

Foi essa sintonia de objetivos que fortaleceu a relação e deu ao casal a convicção de que estavam prontos para construir um projeto de vida em comum.

A fase de transição entre o namoro e a vida de casados também tem sido marcada por importantes aprendizados. Entre eles, a compreensão de que o relacionamento exige paciência, capacidade de adaptação e maturidade para enfrentar os desafios que surgem pelo caminho.

“Estamos exercitando nossa paciência e nos tornando pessoas mais resilientes diante das adversidades que aparecem.”

Como todo casal, Alice e Daniel também convivem com diferenças de opinião e expectativas. A estratégia encontrada para atravessar esses momentos é investir no diálogo e na escuta mútua.

“Com muito diálogo, tentamos entender o ponto de vista do outro e chegar a um meio termo que agrade ambos.”

Ao falarem sobre o que mais admiram um no outro, os dois destacam qualidades que consideram essenciais para a construção de uma vida compartilhada: a determinação e o cuidado.

“Admiramos a determinação e o cuidado um do outro. E sabemos que vamos continuar direcionando essa determinação e esse cuidado para o nosso relacionamento.”

À medida que o casamento se aproxima, cresce também a certeza de que a felicidade não está na ausência de dificuldades, mas na disposição de enfrentá-las juntos.

No Dia dos Namorados, o casal deixa uma mensagem para quem acredita no amor e sonha em construir uma relação duradoura.

“Acreditamos que o amor é uma escolha e que ele deve ser construído com uma pessoa que tenha os mesmos objetivos que você, que aceite os desafios do caminho e também os espinhos que vêm com a rosa.”

AMOR RENOVADO

Se Alice e Daniel representam o começo de uma caminhada, Fabrícia Spessatto Leffa, 45 anos, empresária, e Éder Magnus Leffa, 47, servidor público, mostram como o amor pode atravessar décadas sem perder a capacidade de emocionar.

A história começou em 13 de abril de 1997. Ela tinha 17 anos. Ele estava prestes a completar 19. Os dois estudavam na mesma escola quando iniciaram um namoro que resistiria ao tempo e acompanharia todas as transformações da vida adulta.

Foram seis anos e meio de namoro até o casamento, celebrado em 22 de novembro de 2003, na igreja Santa Luzia, em Torres. Desde então, construíram uma trajetória marcada por desafios, conquistas e pela decisão diária de permanecer juntos.

Hoje, após 29 anos de relacionamento, continuam compartilhando a mesma convicção: o amor não acontece apenas uma vez. Ele é renovado diariamente.

“Nós nos escolhemos todos os dias, com nossas diferenças, defeitos e qualidades. Gostamos genuinamente da companhia um do outro e estamos sempre alinhando nossos sonhos, projetos e decisões.”

A frase resume a essência de uma relação construída com diálogo e propósito comum. Ao longo dos anos, aprenderam que caminhar juntos não significa pensar igual em tudo, mas respeitar a individualidade de cada um sem perder de vista os objetivos compartilhados.

Além da vida familiar, Fabrícia e Éder também compartilham a rotina profissional. Como sócios e companheiros, precisaram aprender a estabelecer limites para preservar a qualidade da convivência.

Segundo eles, a maturidade adquirida ao longo da trajetória foi fundamental para separar as questões profissionais das pessoais sem perder a parceria construída em ambas as áreas.

Entre os muitos desafios enfrentados, a chegada da primeira filha, Júlia Spessatto Leffa, 22 anos, ocupa um lugar especial na memória do casal. O nascimento representou um período de grande transformação, aprendizado e crescimento, tanto na vida a dois quanto na construção da família, que hoje está completa com a segunda filha, Sofia Spessatto Leffa, 17.

Psicóloga alerta: amor saudável respeita limites, preserva a identidade e gera segurança

Outro elemento considerado essencial é a fé. “Buscamos manter Deus presente e vivo em nossa caminhada, porque acreditamos que a fé fortalece nossos laços e nos ajuda a enfrentar os desafios da vida.”

Para eles, o Dia dos Namorados continua carregando o mesmo significado dos tempos de juventude.

“Procuramos viver cada dia com o mesmo entusiasmo que sentíamos no início do namoro. A paixão traz a alegria e a leveza dos primeiros momentos; o amor construído ao longo dos anos traz segurança, maturidade e fortaleza. Uma coisa complementa a outra.”

Depois de quase três décadas lado a lado, o casal também deixa uma mensagem para quem acredita no amor e deseja construir relacionamentos duradouros.

“Busquem alguém que compartilhe dos mesmos valores, princípios e crenças. Um relacionamento não é um conto de fadas, mas pode ser uma construção linda quando existe respeito, admiração e disposição para caminhar juntos.”

E concluem com a lição que aprenderam ao longo dos anos: “Façam com que a presença de vocês na vida do outro seja motivo de paz, alegria e crescimento. Quando existe amor verdadeiro e admiração mútua, a escolha de permanecer juntos acontece todos os dias.”

O QUE TORNA UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL?

Enquanto muitas histórias inspiram, outras revelam sofrimentos vividos em silêncio. A psicóloga Vania Gisleine Schmitz, que atua no Centro de Referência da Mulher Pricila Selau, em Torres, e acompanha mulheres em situação de violência doméstica nos municípios da região, destaca que relacionamentos saudáveis não surgem por acaso. Eles são construídos sobre bases sólidas.

Segundo ela, compartilhar valores, ter objetivos compatíveis, cultivar uma comunicação respeitosa e desenvolver confiança são elementos fundamentais.

A especialista também alerta para um erro comum, o de acreditar que amar significa abrir mão da própria identidade.

“Um relacionamento saudável é aquele que permite que ambos cresçam juntos sem deixar de ser quem são.”

Para Vania, preservar sonhos individuais, respeitar limites e aceitar diferenças são atitudes indispensáveis para uma convivência equilibrada. Em uma época marcada pelas redes sociais, ela recomenda menos vigilância e mais presença verdadeira.

“É importante dedicar tempo de qualidade à relação, praticar a escuta ativa e compartilhar experiências significativas.”

Nem toda relação que começa com afeto permanece saudável. A psicóloga alerta que comportamentos controladores frequentemente aparecem disfarçados de cuidado ou proteção.

Exigir explicações constantes, monitorar redes sociais, controlar amizades, demonstrar ciúmes excessivos ou limitar a autonomia do parceiro são sinais que merecem atenção.

Segundo ela, a violência raramente começa de forma física. Normalmente, surge por meio de manipulação emocional, humilhações, críticas constantes e desvalorização.

Outro alerta importante é quando alguém sente que precisa se anular para manter a relação funcionando. Se o relacionamento provoca ansiedade frequente, tristeza, medo ou sofrimento emocional contínuo, é momento de buscar ajuda.

Em situações de violência contra a mulher, o atendimento pode ser solicitado pelo Disque 180. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Em Torres, o apoio também pode ser buscado junto ao Centro de Referência da Mulher Pricila Selau, pelo telefone (51) 99456-1977.

O AMOR QUE VALE A PENA

Talvez o maior ensinamento das histórias de Alice e Daniel e Fabrícia e Éder seja que o amor não está nos grandes gestos que aparecem nas fotografias. Ele mora nas escolhas silenciosas.

Está na conversa que evita uma briga. Na paciência diante das diferenças. Na admiração que permanece mesmo depois de décadas. No respeito aos limites.

Na liberdade de continuar sendo quem se é. Relacionamentos saudáveis não são perfeitos. São aqueles em que duas pessoas encontram, todos os dias, razões para crescer juntas sem deixar de florescer individualmente. E, quando isso acontece, o amor deixa de ser apenas um sentimento. Transforma-se em um lugar seguro para voltar.

Fotos: Arquivo Pessoal