Um grupo de técnicos de enfermagem aprovados em processo seletivo da Secretaria Municipal da Saúde de Torres denuncia estar recebendo valores inferiores aos previstos no edital de contratação. A reclamação, encaminhada de forma coletiva à reportagem, aponta que o salário base divulgado no documento oficial não estaria sendo integralmente pago aos profissionais nomeados.
Segundo uma das servidoras, que pediu anonimato por receio de retaliações, o edital previa remuneração de R$ 3.700,00 para o cargo de técnica de enfermagem. Com a soma de auxílio alimentação e adicional de insalubridade, o valor mensal ultrapassaria R$ 4 mil. No entanto, conforme contracheques apresentados à reportagem, alguns profissionais teriam recebido pouco mais de R$ 3 mil no primeiro pagamento.
A denunciante afirma que a situação não é isolada. “É uma denúncia coletiva, não é só minha, é de toda a classe que não está recebendo o valor estipulado no edital”, relatou. De acordo com ela, houve tentativa de contato com o setor de Recursos Humanos do município, mas não teria havido retorno conclusivo. Em uma das respostas encaminhadas a uma servidora, o conteúdo não esclareceria de forma objetiva os questionamentos apresentados.
Diante da falta de esclarecimentos administrativos, o caso foi levado ao Ministério Público. Conforme documentação encaminhada à reportagem, foi instaurado procedimento solicitando explicações por parte do Executivo municipal. Inicialmente, teria sido concedido prazo de dez dias para manifestação da Prefeitura. Sem resposta, o promotor responsável expediu novo ofício, ampliando o prazo para mais 20 dias.
“Nem para nós que somos servidores houve resposta e nem para o Ministério Público até o momento”, afirmou a técnica de enfermagem. Ela ressalta que o objetivo do grupo é que o pagamento seja realizado conforme os termos estabelecidos no edital do processo seletivo.
A reportagem procurou a Prefeitura de Torres para se manifestar sobre a denúncia. Em nota, o Executivo informou que “o Recursos Humanos (RH) e a Procuradoria Geral do Município (PGM) estão tomando as medidas necessárias para resolver a situação”. Não foram detalhados, contudo, quais procedimentos estão sendo adotados, nem se há previsão de regularização dos valores questionados.
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