Home BalonismoTorres projeta céu cheio e cidade pulsante com nova edição do Festival Internacional de Balonismo

Torres projeta céu cheio e cidade pulsante com nova edição do Festival Internacional de Balonismo

por Melissa Maciel

Evento chega à 36ª edição com recordes de participantes, presença internacional ampliada e mobilização comunitária que reforça a identidade turística do município.

O céu de Torres voltará a ser protagonista no início de maio. Durante entrevista concedida na última quarta-feira, 8, à Rádio Maristela, representantes da Federação Gaúcha de Balonismo (FGB) confirmaram que o 36º Festival Internacional de Balonismo, que ocorrerá entre os dias 30 de abril e 3 de maio, contará com números históricos e uma estrutura ampliada, consolidando o evento como o principal espetáculo aéreo do país e um dos maiores motores econômicos e culturais da cidade.

Participaram da conversa o presidente da FGB, Rogério Daitx, o diretor Renan Borba e a diretora de eventos Kátia Honemann, que detalharam bastidores da organização, novidades técnicas e o impacto direto do festival na economia local.

UM FESTIVAL QUE CRESCE

A Federação Gaúcha de Balonismo chega ao quarto ano consecutivo responsável pela organização técnica dos voos e das provas. Segundo Rogério, a meta segue sendo a de elevar o padrão do evento a cada edição.

O festival de 2026 deve reunir 110 pilotos e mais de 120 balões, superando a marca do ano anterior, quando participaram 101 aeronaves. O crescimento ocorre tanto em quantidade quanto em diversidade visual, com recorde confirmado de special shapes, os balões em formatos especiais que se transformam em atrações à parte para o público.

Entre os modelos previstos estão figuras temáticas, como personagens, bola de futebol, bola de basquete e outras surpresas que tradicionalmente só são reveladas durante o evento.

A ampliação foi possível graças à capacidade do Parque do Balonismo, que ainda comporta expansão operacional. Conforme os organizadores, a estrutura atual permite receber até 30 balões adicionais sem comprometer a segurança.

SEGURANÇA E EXPERIÊNCIA DOS PILOTOS

Após debates nacionais envolvendo regras do balonismo esportivo, o festival seguirá critérios mais rigorosos de participação. Apenas pilotos com certificação específica, ou em fase avançada de proficiência, poderão competir.

Na prática, segundo a organização, isso garante um nível técnico elevado e maior segurança operacional, mantendo o padrão internacional do evento.

A lógica adotada pela FGB é a de organização feita “de piloto para piloto”. A experiência prática dos próprios organizadores, que também voam, orienta decisões logísticas, desde inscrições até apoio estrutural.

TORRES NO RADAR INTERNACIONAL

A dimensão internacional do festival também cresce. Até o momento, 15 pilotos estrangeiros estão confirmados, podendo chegar a 20 participantes internacionais com equipes adicionais.

Há representantes dos Estados Unidos, Chile, Ucrânia, Canadá, Espanha, Alemanha, China e Japão, incluindo um piloto chinês que visitará o Brasil pela primeira vez após recomendações feitas por participantes canadenses em eventos anteriores.

O reconhecimento internacional, segundo os organizadores, não ocorre por acaso. Torres é frequentemente descrita pelos pilotos como um dos cenários mais favoráveis do país para o voo de balão, combinando geografia costeira, paisagem singular e condições climáticas adequadas.

ECONOMIA IMPULSIONADA

O Festival Internacional de Balonismo não se limita ao espetáculo visual. A expectativa é de 400 mil a 500 mil visitantes ao longo dos cinco dias, número que posiciona o evento como o segundo maior fluxo turístico anual do município, atrás apenas do Réveillon.

Hotéis, restaurantes, comércio e serviços entram em operação máxima. A rede hoteleira já apresenta alta taxa de ocupação antecipada, reflexo direto da procura do público e das equipes técnicas.

Parcerias locais tornam viável a realização do evento. Estabelecimentos de hospedagem adotaram delegações estrangeiras, oferecendo suporte logístico aos pilotos. Entre os parceiros citados estão hotéis tradicionais da cidade, responsáveis por acolher equipes internacionais e fortalecer a hospitalidade local.

UM FESTIVAL CONSTRUÍDO POR PARCERIAS

O balonismo, conforme destacou Rogério, é um esporte de alto custo operacional. Para viabilizar a participação, a organização estruturou incentivos inéditos nesta edição, incluindo descontos em inscrições, apoio em hospedagem e premiações que podem alcançar valores superiores a R$ 35 mil em determinadas provas.

A estratégia funciona como mecanismo de atração competitiva e garante presença qualificada no evento.

Além disso, uma campanha de voluntariado mobilizou moradores para integrar equipes de apoio aos pilotos estrangeiros, iniciativa que surpreendeu pela adesão popular e reforça o vínculo comunitário com o festival.

Mais do que um evento turístico, o balonismo é tratado pelos organizadores como patrimônio cultural da cidade. Muitos parceiros atuais, segundo relatos apresentados na entrevista, começaram ainda crianças correndo atrás dos balões pelas ruas de Torres.

A nova proposta de voluntariado busca justamente reconectar adolescentes e jovens com essa tradição, oferecendo experiência cultural direta com equipes internacionais e incentivando a continuidade da identidade local ligada ao esporte.

O ESPETÁCULO ALÉM DOS VOOS

Uma das preocupações mantidas pela organização é garantir balões visíveis ao público durante todo o dia, ampliando a experiência dos visitantes que chegam fora dos horários tradicionais de voo, realizados nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde.

A iniciativa reforça o caráter democrático do evento: mesmo quem visita o parque por poucas horas encontra o espetáculo acontecendo.