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UM NOVO MESSIAS?

por Nicole Corrêa Roese

Tem chamado a atenção da imprensa internacional o embate entre o Papa Leão XIV e o presidente dos EUA.  Conflitos entre imperadores, reis, presidentes e papas não é novidade na história da era pós cristã. Sempre houveram divergências e interesses em jogo. Inclusive a história nos lembra de situações em que papas foram sequestrados.

Mais recentemente, o presidente argentino Milei também manifestou descontentamento com seu conterrâneo – Papa Francisco, e seus posicionamentos em questões sociais.

Estaríamos simplesmente repetindo o que “sempre foi assim”?

Não! Estamos diante de uma situação nova.

A arrogância do atual líder político norte americano extrapola o que seria justificável e compreensível em outros contextos históricos. Nem mesmo a cena de Napoleão, retratada em imagem, retirando a coroa das mãos do papa e se auto coroando foi tão agressiva a uma tradição religiosa. Faço referência a figura divulgando o presidente Trump com características de um Cristo triunfante, tendo ao fundo símbolos de seu poder bélico. Vale ressaltar que se trata de uma produção da IA. E artificial é sinônimo de algo forjado para além do que se entende como parte da ordem natural das coisas.

O que mais assusta nem é o fato de pessoas aparecerem como o “novo” messias encarnado, mas a legitimidade que tais líderes sustentam sob o manto de massas populares que se auto proclamam arautos da moral e da ética. A lógica da guerra santa contra agentes do mal ganha terreno e confunde os discursos em favor da paz. Justificam-se ações que se caracterizam como assassinato, exterminio de nações e povos, como uma ação de limpeza do mal sob o aplauso de grupos econômicos e massas domindas por falsas informações.

A coragem de uma figura como Prevost, hoje com o título de Papa Leão XIV, pode ser um alento em meio a força de quem se acha imbatível. A paz, a compreensão e a fraternidade ainda podem vencer. Como inspiração, um Cristo humilde, também assassinado pelos detentores de poder.