Ao longo desta última semana no mẽs de julho, é comum acompanharmos algumas festas e comentários que destacam o dia do agricultor e agricultora.
Um dos enfoques é o reconhecimento de uma categoria que produz alimentos que chegam às mesas da população. Destaca-se a dedicação de alguém que se esforça para que outros estejam bem ou, ao menos, bem servidos
E quem é o agricultor e agricultora?
A figura lembrada não é a do produtor rural, investidor num projeto identificado como agronegócio. Antes, aquelas pessoas geralmente integradas num ambiente familiar e que fazem da produção de alimentos um elemento de identidade. A relação com a produção agropecuária é um constitutivo de seu próprio ser e não apenas uma expressão de seu fazer.
Infelizmente uma parte expressiva do alimento que chega até nós não passa pelas mãos de agricultores e agricultoras. Passa pelas engrenagens de máquinas pensadas para produzir lucratividade. Uma atividade que vai se desumanizando.
Paralelo a esse movimento aparece outro, voltado ao resgate da arte de produzir comida. Acompanho pessoas e também famílias que buscam produzir parte de seus próprios alimentos como uma opção de vida. Pessoas que vão ao encontro de pequenas porções de terra, sedentos em colher o que plantam.
Participei de um encontro como oficina de “hortas biointensivas”. Um método de cultivo em pequenas áreas, de forma sustentável, com potencialidades de uma produção farta. Um jeito de cuidar não apenas do que é cultivado mas também e especialmente da terra que produz.
Surpreendeu-me ver que um número significativo de participantes era formado por pessoas que não se identificam como agricultoras. Várias estavam lá para apropriar-se de novos aprendizados e ferramentas para produzir o próprio alimento e, em menor escala, algum excedente como renda complementar. Pessoas que querem agregar à sua história e identidade a ideia de ser produtoras de comida.
A arte de produzir comida
20