Penso que muitas pessoas exerceram a curiosidade em páginas meteorológicas que faziam projeções climáticas para os dias subsequentes. As famosas “previsões do tempo”. E fique claro aqui que o tempo não é uma referência a um recorte cronológico senão o tempo enquanto referência às condições do clima.
Na semana que nos antecedeu, muitos alertas foram emitidos apontando para um quadro severo em termos de volumes de chuvas e formação de temporais com ventos e potencial de causar muitos estragos.
Em função destas informações se criou uma expectativa, especialmente em relação ao final de semana. Fato que não se concretizou na escala do que vinha sendo anunciado.
Acompanhei algumas explicações de especialistas. E me chamou a atenção a justificativa de que a projeção trabalha com o “pior quadro”. Afirmaram explicitamente que não se trata de uma média entre os sistemas analisados mas a opção pelo “pior” com o objetivo de que a população esteja consciente do que pode acontecer.
Prevaleceu a ideia de estarmos prevenidos para um quadro mais crítico que, não acontecendo, não provocaria nenhum “prejuízo”. Preparados para enfrentar até mesmo algum tipo de emergência, respiramos aliviados por não ter acontecido. A surpresa nos seria favorável. No caso inverso, nos sentiríamos enganados ou até “traídos”.
Exposta esta constatação, surgem alguns questionamentos: até que ponto as previsões podem ser uma referência? Por quanto tempo ainda podemos confiar? Uma previsão pautada pelo “pior” pode, de fato, sustentar-se como uma pauta de segurança? Ou alí à diante pode gerar descrédito?
O que nos torna diferenciados enquanto espécie humana é esta capacidade de imaginar o que ainda não é. Projetar para além do tempo o que esperamos ou o tempo que nos espera. Aconteça ou não, não abrimos mão de pré-ver. Uma espécie de afirmação consoladora de que controlamos o incontrolável.