Com este slogan, o Sindicato dos Professores da rede pública estadual (CEPERS) chamou uma assembléia da categoria e decidiu por uma greve nos dias 16 e 23 deste mês.
Na pauta o projeto de privatização de 98 escolas públicas estaduais no RS. A justificativa, como em todos os outros projetos de privatização, é administrativa. Repete-se o discurso de melhorar a qualidade do serviço gastando menos.
É assim com a concessão das rodovias que sustentamos ao custo dos pedágios. E foi assim com a venda da CEEE e CORSAN.
Voltando ao caso das escolas, trata-se de um primeiro lote que vai a leilão no dia 23.
Será entregue à iniciativa privada – para quem oferecer o serviço pelo menor preço, a administração de um conjunto de escolas distribuídas pelo estado. Caberá à empresa vencedora gestar o serviço de manutenção, alimentação, limpeza e segurança a um custo que hoje as escolas não dispõem.
No processo de convencimento, a tentativa de justificar às atuais direções o alívio de não mais se preocupar com estas questões, restando liberadas para o gerenciamento pedagógico.
Uma falácia que não se consolida. Qual será o maior incômodo? Gerenciar com poucos recursos a manutenção de prédios e serviços ou correr atrás de uma empresa sediada “sabe lá onde” em busca do responsável pela execução de um serviço que é emergencial como o conserto de um sanitário ou uma porta que não fecha? A quem recorrer quando o serviço não é executado?
As experiências recentes da CEEE-Equatorial são um referencial de que empresas objetivam lucros e uma das formas de otimizar ganhos é baratear serviços, o que significa jogar qualidade para um segundo ou terceiro plano.
Educação não pode ser tratada como uma mercadoria a ser leiloada numa bolsa de valores. Não podemos naturalizar mais essa investida contra um bem público que é a possibilidade de construir uma sociedade alicerçada em valores que tanto defendemos.