Essa pergunta marcou minha infância e adolescência sempre nas últimas semanas do ano. E penso que de muitas outras pessoas.
O ano escolar está essencialmente vinculado ao conceito de ciclos a serem superados. A ideia de “passar” vincula-se a este pensamento de etapas a serem cumpridas. Da mesma forma, a ideia de “rodar” expressa uma concepção de retornar ao início do ciclo, algo como um tempo perdido. Tem que refazer tudo novamente.
No entanto, o tempo não se perde. Tempo vivido é tempo ganho. Mesmo para quem precisa avançar com outra turma ou com outro grupo que chega noutro ritmo. Não se trata de refazer tudo mas um fazer novo, de outro jeito.
Em relação aos processos escolares, há uma concepção recorrente de que “agora ninguém mais roda”. Por trás estaria uma pressão por índices de aprovação. Muitas críticas emergem nessa direção. Estaria desestimulando o empenho.
É importante amadurecer que rodar ou passar não é uma mera questão matemática. Uma visão integral e integradora da educação pensa o estudante como um todo e não como um número a ser atingido. Entender e julgar o melhor caminho a ser proposto é um desafio.
Acompanho alguns conselhos de classe e sou testemunha do profissionalismo e empenho de professoras, supervisoras e direção que buscam entender o que é melhor para o processo. Um caminho coletivo de muitos olhares. E, por se tratar de pessoas com suas histórias de vida, são decisões muito complexas, passíveis de equívocos. Por isso, momentos desgastantes.
Mais do que rever critérios para passar ou rodar precisamos rever conceitos de tempos. Já é mais comum o entendimento de que pessoas diferentes precisam e vivem tempos diferentes. Precisam de tempos diferenciados. Os índices deveriam levar em consideração este elemento. No fundo, todos nós passamos e rodamos num tempo que parece ser igual para todos, mas não o é.
Passou ou rodou?
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