Nesta semana iniciamos a primavera. Temos data e horário: 22 de setembro, às 21h05min. Um dado calculado a partir do fenômeno conhecido como equinócio que é quando o posicionamento do sol coincide exatamente com a linha do equador. Um evento observado e definido pela ciência.
Este dado nem sempre coincide com os sinais que a dinâmica da vida apresenta no planeta. Os elementos que compõem a natureza agem e reagem num processo complexo de interações. Não é a inclinação do sol apenas. As condições climáticas de ventos, chuvas, calor e frio são mais determinantes na reação da flora. Podemos ver atrasos ou antecipações em processos de floração e desdobramento de novos brotos.
Podemos ler por aí um recado de que nossa “casa comum” não se orienta por nossos conceitos ou determinações. Podemos marcar dia e hora, mas não necessariamente todos os seres obedecerão. Nosso poder é limitado. Determinamos em calendários e relógios o momento exato para iniciar nossas atividades. Horário de trabalho, horário de escola, horário para dormir e acordar. Mas tem validade entre nós que combinamos. Não dominamos o planeta com nossas determinações. O que rege é a interação e não a imposição de uns sobre os outros. Não entramos na primavera porque assim o decretamos mas porque interagimos.
Estranhamos dias frios nesta época do ano porque nosso calendário diz que não deveria. Mas, que poder tem um calendário?
Nossos tempos deveriam ouvir e acompanhar os tempos de uma natureza da qual tomamos parte. O que estamos vendo, em relação aos fenômenos climáticos, são alterações que podem estar sendo uma resposta as nossas ações. Falamos de uma era do antropoceno. Mas se fôssemos tão poderosos, porque não determinamos pelo calendário uma data para o fim do frio ou um horário para o fim das chuvas ou das secas?
Seríamos mais inteligentes se tivéssemos olhos e ouvidos para o que entendemos ser a natureza.