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Tempo da Criação

por Nicole Corrêa Roese

Neste tempo de embates políticos e uma crise profunda no STF, cujo um dos pivôs é ministro indicado como “terrivelmente evangélico”, abro um parêntese, não para fugir da questão, mas para ressaltar um movimento que se articula em nível internacional entre Igrejas Cristãs.
No embalo da criação da ONU, surgiu o Conselho Mundial de Igrejas. Reúne mais de 300 denominações cristãs. Embora não seja membro efetivo, a Igreja Católica Romana vem se articulando conjuntamente em algumas ações. E uma delas é a celebração do “Tempo da Criação”. Inicia com o mês de setembro e se estende até o dia 04 de outubro numa homenagem ao personagem São Francisco de Assis, uma referência nos temas ecológicos.
Há uma recomendação para que neste período de pouco mais de 30 dias se ampliem momentos de celebrações e ações voltadas para a questão ecológica, entendendo o planeta como a casa comum na qual também somos parte. A ideia é unir-se para além das particularidades de cada igreja numa atitude ecumênica. E é interessante observar que a raíz da palavra ecumenismo é a mesma do conceito ecologia.
O tema proposto para 2026 é a “imersão em água viva” tendo por suporte uma passagem bíblica no livro do profeta Ezequiel. Retoma o anúncio de uma água que brota como gota e vai se ampliando como rio que provoca vida por onde passa, inclusive com potencial de transformar até mesmo o Mar Morto, símbolo de águas sem vida. É um convite para comprometer a fé com a vida concreta que se manifesta não apenas na humanidade mas no planeta como um todo. O pensamento é chamar para a responsabilidade de interagir com a natureza integrada como obra da criação.
Destaco este movimento porque é uma espécie de resistência que apoia-se na religião não para dividir ou impor vontades mas para impulsionar uma convivência integral e integrada, onde o direito à vida está acima de qualquer forma de disputa pelo poder de impor aos outros os próprios entendimentos e vontades,