São quase 30 anos vivenciando a experiência de ser pai. Momentos fortes e gratificantes. Situações diversas e sempre enriquecedoras no processo de amadurecimento como pessoa. Agora, prestes a entrar em um novo ciclo como avô.
Ainda assim, inseguro para definir o que significa ser pai.
Aliás, constantemente desafiado a entender esta “função social”.
Alimentado por fontes religiosas, históricas e socioantropológicas, permanece a pergunta: como ser um bom pai?
Não podemos negar que as respostas estão diretamente relacionadas aos modelos de família que construímos. Modelos, porque são plurais.
Não há como ignorar que a ideia de família formada por um pai, uma mãe e os respectivos filhos biológicos é fruto de uma construção social moderna e ocidental. Até pouco tempo era algo mais amplo. Quem já não ouviu a pergunta: de que família (ou de que gente) tu és, numa referência ao grupo familiar extenso, atrelado a um sobrenome patriarcalista?
E os povos originários de continentes como América, África ou Ásia? Como eram as relações sociais no âmbito da família, ou do grupo social de pertença?
As experiẽncias preservadas na tradição Bíblico-judaica são um tanto diversas. Vemos resquícios dos tempos de Abraão, Sara, Agar, Isaac, Rebeca, Jacó, Lia, Raquel… Mas também experiências tribais do tempo dos Juízes. Ou então experiências de fidelidade marcada pelo sangue matriarcal, no tempo do judaísmo. Depois, as experiências vivenciadas pelas comunidades cristãs. O fato é que não encontramos ao longo daqueles quase dois mil anos um modelo único e uníssono.
Ser pai é um enquadramento em modelos.
Hoje temo pelo modelo que se ensaia em alguns meios. Um pensamento que reforça a compreensão do pai como fonte de segurança, afirmada e sustentada pela ideia de defesa no ato de se impor, muitas vezes pela força e até violência. Curvo-me e saúdo como benditos os pais que entendem o ato materno de cuidar, com atitudes de compreensão e amor, para além das simples formalidades familiares.