Home UncategorizedNeuromodulação com escetamina surge como tratamento inovador e de resposta rápida para depressão resistente

Neuromodulação com escetamina surge como tratamento inovador e de resposta rápida para depressão resistente

por Melissa Maciel

Um tratamento inovador tem ampliado as possibilidades de cuidado para pessoas que convivem com quadros graves e resistentes de depressão. A neuromodulação com escetamina, tema de entrevista na Rádio Maristela, na terça-feira, 30, foi detalhada pelo médico psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Luis Felipe Jardim, especialista na área e responsável pelo serviço de neuromodulação do Hospital Nossa Senhora Fátima de Praia Grande, no Sul catarinense.

Durante a entrevista, o especialista destacou que a depressão é considerada hoje um dos principais desafios de saúde pública, com números crescentes e impacto direto na qualidade de vida, na produtividade e nas relações familiares. Segundo ele, projeções indicam que, até 2030, a depressão será a principal causa de afastamento do trabalho em todo o mundo, superando doenças crônicas e lesões ocupacionais.

Diferentemente dos antidepressivos tradicionais, que atuam principalmente na serotonina, dopamina e noradrenalina e costumam levar semanas para apresentar resultados, a escetamina age em outro sistema cerebral: o glutamato. Essa atuação promove a chamada neuroplasticidade, estimulando a criação de novas conexões neurais e auxiliando na reversão de alterações cerebrais associadas ao estresse crônico e à depressão de longa duração.

“O grande diferencial da escetamina é a rapidez da resposta. Em muitos casos, os efeitos são percebidos em poucas horas, especialmente em pacientes que não responderam a dois ou mais tratamentos convencionais”, explica o psiquiatra. O medicamento também contribui para a redução de sintomas graves associados à depressão, permitindo maior estabilidade clínica e favorecendo a resposta posterior aos antidepressivos de uso oral.

INDICAÇÃO

O tratamento é indicado, principalmente, para pessoas com depressão resistente, histórico de recaídas frequentes ou necessidade de resposta terapêutica rápida. A aplicação ocorre por meio de infusão venosa, em ambiente hospitalar, com monitoramento médico contínuo. Cada sessão dura cerca de 40 minutos, e o protocolo inicial prevê duas aplicações semanais ao longo de cinco semanas, totalizando dez sessões. A partir daí, o acompanhamento é individualizado, conforme a evolução clínica de cada paciente.

De acordo com o Dr. Luis Felipe Jardim, a neuromodulação com escetamina vem sendo aplicada há cerca de dois anos no Hospital de Praia Grande, com resultados considerados expressivos. O serviço atende pacientes de toda a região, incluindo moradores de Torres, Araranguá e municípios vizinhos, sempre após avaliação psiquiátrica criteriosa.

“O objetivo é oferecer uma alternativa segura, validada cientificamente e acessível, que possa mudar a trajetória de pessoas que convivem há anos com a depressão sem resposta adequada aos tratamentos tradicionais”, ressalta.

As avaliações psiquiátricas são realizadas no consultório do médico, na Clínica de Especialidades anexa ao Hospital de Praia Grande, enquanto as infusões ocorrem exclusivamente no ambiente hospitalar, garantindo segurança e suporte adequado durante todo o processo.

FOTO: FREEPIK