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Voto coerente

por Nicole Corrêa Roese

Em períodos eleitorais é mais recorrente opiniões que apontam para a figura dos candidatos a um cargo eletivo como expressão de incoerência, tamanho o número de mentiras proclamadas. É fato. Não faltam situações a serem apontadas como exemplo.

Nesta mesma questão, podemos ir um pouco além. Olhar para quem está do outro lado do processo: as pessoas eleitoras. Como está essa ideia de coerência?

Olhamos para uma situação concreta da semana.

Uma pessoa conhecida e influente no meio esportivo foi questionada acerca de um processo de acusação cujo réu, seu amigo, responde por uma suposta violência psíquica contra uma mulher, tendo inclusive sua liberdade condicionada mediante Medida Protetiva da lei Maria da Penha. Em resposta, questionou a imprensa e a lei e afirmou categórico: “por isso sou Bolsonaro”.

Vemos aí um testemunho de coerência. A pessoa se identifica e se sente representada em suas convicções. Vê no candidato uma extensão do seu pensamento, especialmente nas relações de gênero. Sua escolha não se pauta por projetos sociais (longe disso), nem por programas de saúde, educação, produção, comércio, emprego, inflação… basta um elemento: enfrentar esta suposta “onda” femininista que ameaça homens bem sucedidos. Podemos criticar o posicionamento mas não acusar de incoerência.

Ser coerente é estar vinculado. Votar de forma coerente é um ato de sabedoria que burla a incoerência dos candidatos.

A coerência deveria tornar mais transparente nossas motivações.  Incoerência é garimpar argumentos que enganam a si pelo grito de torcida de quem já estabeleceu um time e vai pelo movimento da manada.

Serei coerente quando optar por projetos que se consolidam como bem comum e não vaidades pessoais. Por coerência, em respeito a vida também marginalizada em tantas mulheres vítimas, tenho que votar “no outro”.